Teste de Bechdel e a Presença de Super-Heroínas na Cultura Pop

Atualizado: Mai 12

As histórias de super-heróis estão há décadas fazendo parte do universo cinematográfico e logicamente da vida dos milhões ou, por que não, dos bilhões de telespectadores que amam as narrativas e em especial os super heróis.



Infelizmente, não somente filmes de super-heróis, mas diversos longas de vários gêneros e temáticas muitas vezes não atendem o mínimo necessário para uma melhor representação da mulher.


E quando se fala o mínimo, refere-se ao básico do básico, ao que se denomina Teste de Bechdel. O teste foi assim nomeado em homenagem à cartunista Alison Bechdel, que representou tal avaliação em um de seus quadrinhos.


O teste de Bechdel tem como propósito analisar a participação de mulheres em filmes, mesmo que sua presença seja superficial no enredo. Em uma obra cinematográfica ou fictícia (séries, quadrinhos, filmes, etc) implica-se três fatores:

  1. Há mais de duas mulheres com nomes na obra?

  2. Essas mulheres, em ao menos uma cena, conversam entre si?

  3. Elas conversam sobre algo que não seja um homem?


Simples, não? Não deveria ser algo difícil de aplicar em filmes, até porque o diálogo entre as personagens não precisa ser algo relacionado ao movimento feminista: pode abordar assuntos diversos, desde que não permeiem o masculino. Porém, encontram-se inúmeros filmes, clássicos, vencedores de bilheteria, entre outros, que não o fazem, inclusive lamentavelmente até mesmo os que são protagonizados por mulheres.



No Website teste de Bechdel, dos 8076 filmes registrados na plataforma, somente 57,06% cumprem os três requisitos, 10,2% atendem dois, 22,1% apenas um e, por fim, 10,1% são reprovados por completo no teste.


Ressalta-se que atender os requisitos de Bechdel não é um impedimento para que o filme venha a representar mulheres de forma estereotipada, ou que tenha cunho sexista e a ausência de um caráter feminista. Ser aprovado no teste significa desempenhar o mínimo do necessário e, em sua maioria, o mínimo não é o suficiente.


Teste de Bechdel na Prática


Duas grandes organizações de conteúdo da cultura pop, DC e MARVEL, lançaram filmes de super-heroínas nos últimos anos. Esses foram extremamente importantes para representatividade da mulher, em particular porque o universo dos heróis é no geral dominado por homens brancos e héteros.


OBS: Há spoilers, contudo são cenas tão específicas, que não revelarão muito, caso ainda não tenha visto os filmes.


Mulher Maravilha (2017)


  • Na maior parte do filme, Diana está na companhia de homens, somente.

  • No lar das Amazonas, são retratadas várias mulheres que interagem entre si, inclusive sendo citados os nomes de algumas delas. Assim, concluímos que o filme atendeu dois fatores do teste, entretanto os diálogos entre elas abordavam direta e indiretamente dois homens: Ares e Zeus.

  • O outro único contexto no enredo em que vemos novamente duas mulheres juntas é quando Diana conhece Etta Candy, a secretária do Steve Trevor. Veja:



Direito ao voto, moda, equipamentos para um combate físico, luta corporal...


Bom, com certeza "Mulher Maravilha" foi aprovado no Teste de Bechdel. Todavia, este é o único trecho (pouco mais de dois minutos) do filme de 2h e 29min protagonizado por uma mulher, que cumpre todos os fatores do teste.


É aquele momento em que dizemos: "esperávamos mais". Essa cena do filme, apesar de seu significado primordial, é muito sutil e de pouca relevância na narrativa. Possivelmente mal foi percebida pelo público e tão pouco notada sua importância.


Pois bem, nem tudo é perfeito e devemos considerar que, apesar dos pontos negativos, o longa trouxe muitas questões positivas no que se refere às mulheres.


Capitã Marvel (2019)


  • Ao decorrer do filme, temos cenas significativas em que a Capitã contracena com outras mulheres, em especial Maria Rambeau e sua filha Mônica:



Ambas possuem nomes próprios, são mulheres e as conversas entre elas nos levam a identificar a prática da Sororidade! Nesta cena, Maria enaltece as conquistas e as qualidades de Carol Danvers quando esta se encontra meio confusa e perdida psicologicamente.


E a melhor parte desse momento é que ele acaba e traz posteriormente mais duas cenas fantásticas! Sendo todas elas, relevantes para o desenvolvimento e entendimento da narrativa.

Ah, e sim, definitivamente "Capitã Marvel" foi aprovado no teste, além de trabalhar melhor e de forma mais explícita questões positivas da representatividade feminina no cinema.


Perceba que tão importante quanto ser aprovado no Teste Bechdel, é que o mesmo seja bem trabalhado e aplicado para gerar uma importância significativa no contexto da narrativa, chamando a atenção do leitor e até mesmo propiciando um senso reflexivo e crítico sobre a cena.


Por fim, note que o teste de Bechdel tem certo poder de ajudar a determinar uma melhor representação feminina, mesmo que a personagem seja simplória na história. Portanto, torna-se um avaliador do que é básico/mínimo para uma positiva e real representatividade de gênero em obras cinematográficas.


Quer saber mas sobre o teste? Comentamos sobre no Podcast - Sororidade na Cultura Pop, confere lá!


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