Sons cinematográficos: as 5 camadas


Na matéria sobre os três pilares básicos dos sons cinematográficos, falamos sobre a importância dos sons nos filmes e como possuem um papel crucial para acentuar nossas sensações ao assisti-los.


Assim, adentraremos mais no assunto e falaremos sobre as camadas de sons que fazem parte da produção de um longa, que certamente estão dentro da trindade dos sons: diegéticos, extra-diegéticos e meta-diegéticos.


Mas fique tranquilo, não iremos nos aprofundar muito nos conceitos. Apenas te daremos um norte do universo sonoro no cinema, contribuindo não só para seu conhecimento crítico ao analisar filmes, mas também ao criá-los. Caso esteja interessado em gravar algo, seja um storytelling, um curta, um vídeo do youtube ou qualquer outro tipo de produção audiovisual, considerar esses fatores o ajudará muito na parte sonora.


E vamos à leitura.


1. Voz/Diálogo


Na maioria dos filmes da atualidade, dificilmente não haverá diálogos entre os personagens. Eles, ainda, serão gravados em diversos cenários que possuem inúmeros sons ambiente, os quais podem interferir na boa captação da voz dos atores.


Assim sendo, no ato da gravação, o som que deve ser priorizado é a voz, para que ela tenha a melhor qualidade possível. Desta maneira, evita-se dublagens na pós-produção. Porém, há situações nas quais nem os avanços tecnológicos podem ajudar, que é o caso das gravações em ambientes externos, onde vários sons podem interferir na qualidade da voz dos personagens. Nesses casos, acaba tendo que se recorrer às dublagens na pós-produção.


2. Foley


O foley, como já conversamos na matéria sons cinematográficos: três pilares básicos, é um recurso da pós-produção no qual são realizados e reproduzidos, de formas criativas, os mais variados sons. Sejam eles realizados pelos personagens ou o que está ao entorno deles, necessitam do recurso quando não têm sua sonoridade enfatizada na gravação inicial. O foley reproduz e regrava o que realmente está acontecendo em cena, dentro da diegese da história.


Sons de copos, passos, moedas, notas, o ato de abrir a bebida, as garras.... não há um microfone próximo desses elementos, diante disso, dificilmente os escutaríamos com tanta qualidade se não fossem reproduzidos no foley.


Salienta-se que a boa sonoridade de objetos ajuda a intensificar a ideia de verdade na cena, entre outras sensações, de acordo com o objetivo do filme.



Stefan Fraticelli é um designer de som que compartilha em suas redes sociais como reproduz os sons. Vale a pena conferir e segui-lo.


3. Efeitos Sonoros


Todos os efeitos sonoros também são produzidos e resultantes do foley, mas merecem ser frisados aqueles sons que, de certa forma, não existem, que foram inventados. Veja o exemplo abaixo:


Perceba que sempre quado fazem os símbolos ou círculos que abrem portas para outros locais e dimensões, ouve-se uma sonoridade não definida, pois ela foi inventada. E sua existência faz toda a diferença para nossa imersão nas cenas.


4. Trilha sonora


A trilha sonora já eternizou vários filmes, bem como ajudou telespectadores a emergir mais emocionalmente nos momentos em que é tocada na narrativa, de acordo com o teor dramático ou cômico da cena. Ela não é obrigatória, porém, quando utilizada, enquadra-se em dois quesitos:

Diegética: ela pertence a diegese do filme, à realidade vivida pelos personagens, e eles a escutam. Todavia, mesmo assim, não será gravada junto ao diálogos, e sim na pós-produção.


A música não é somente escutada, como também dançada, mas em momento nenhum interfere na qualidade sonora da voz dos atores.


Não-diegética: a que somente o espectador escuta. É muito usada para intensificar as sensações provocadas pela cena.


Note como o leve soar da música vai embalando o telespectador, parando e retornando nos momentos certos, até que a cena é finalizada em um soar mais fúnebre, caminhando perfeitamente com o que está se passando na narrativa no exato momento.


5. Ambiência


Perceba que, no seu dia-a-dia, dificilmente há um silêncio absoluto. E em filmes o mesmo acontece, até quando não existem diálogos.


Assim como os efeitos sonoros, os sons ambientes também são construídos pelo foley. Entretanto, é importante dar atenção a eles, pois são fundamentais para ajudar o telespectador no tempo e espaço do filme.


Ao decorrer dos diálogos entre os dois personagens, escuta-se suavemente a cachoeira, pássaros e até mesmo o leve soar do vento. Esses elementos ajudam a fortalecer a imagem do local: um paraíso, um lugar utópico que, inclusive, pouco é mostrado ao longo da conversa. Mas os sons corroboram para que imagens fiquem em nossa mente mesmo sem vê-las.


Perceba que, com exceção dos diálogos, as demais camadas sonoras são desenvolvidas na pós-produção e mixadas ao filme.


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