Saga Literária Brasileira | Tetralogia Angélica de Eduardo Spohr

Atualizado: Jul 12


Em dias atuais, escritores estrangeiros têm seu espaço reservado em estantes de milhares de brasileiros, bem como fãs em diversas regiões do mundo. Particularmente, as fantásticas sagas têm seu lugar em destaque: Harry Potter, O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia, entre outras, que tornando-se filmes ou não, contemplam uma grande gama de admiradores.


No Brasil há também excelentes escritores, que não só escrevem ótimos livros, mas também sagas esplêndidas, conseguindo instigar a cada capítulo e, ao final da última página, provocar sentimentos de saudades pelos personagens e o universo imaginário do qual nos permitiram fazer parte.


Quer um bom exemplo? Eu lhes apresento a Tetralogia Angélica de Eduardo Spohr.


Eduardo Spohr é jornalista, professor, blogueiro, podcaster e escritor brasileiro, e um dos seus maiores sucessos são os livros A Batalha do Apocalipse: da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo e a trilogia Filhos do Éden.


NOTA: As imagens que verão abaixo não fazem parte dos livros, a não ser quando especificado, entretanto seus admiradores não deixaram de criá-las e publicá-las em sites e redes sociais de fã-clubes.

Esta tetralogia literária é desenvolvida de forma a amarrar inúmeros elementos contidos nos livros e conectá-los de maneira coerente. A conexão é tão perfeita que, mesmo a narrativa tendo outros mundos, muitas culturas e linhas temporais diferentes, além de vários personagens, o leitor não fica perdido.



O autor trabalha muito bem os detalhes para que facilmente seja identificado o momento e imaginado visualmente o que está se passando, ao mesmo tempo em que estimula a criatividade mental do leitor. Outro aspecto fantástico dos livros é a presença da mitologia cristã de forma não religiosa (em particular no primeiro livro): o foco são os anjos e os conflitos entre eles, tendo a Terra e particularmente os humanos como o principal motivo de discórdia. No decorrer das páginas temos várias culturas: grega, nórdica, indiana, chinesa, o folclore da amazônia, entre outros.


A Batalha do Apocalipse: da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo


A narrativa é contada através do ponto de vista dos anjos no que se refere à história da criação da Terra até o Armagedom, que no livro é datado em 2012.

Para quem não se recordou de imediato, muito se falou que em 2012 seria o fim do mundo. Isso rendeu até um filme.


O tempo da narrativa perpassa milhões de anos contando como se deu a existência do mundo, de tal forma que une a origem do universo contada pela ciência à criação do mesmo por Deus, considerando que os dias Dele não tem a mesma quantidade de tempo que os nossos.


Página do livro A Batalha do Apocalipse: da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo.

Assim, a cada dia que Deus criou algo na Terra, em vez de 24hs se passaram milhares de anos, que batem com a cronologia dissertada pelos cientistas sobre o desenvolvimento do planeta. Ao chegar o sétimo dia, então, o Senhor começa a descansar e assim permanece até 2012, momento no qual Ele acordará para o juízo final.


Agora que estão ambientados ao tempo da narrativa, irei contar um pouco sobre ela.


O universo Angélico é divididos por 7 castas divinas, e cada um possui suas funções e propósitos de acordo com a "categoria" a qual pertence. Acima deles estão os arcanjos, sendo Miguel um dos mais amados por Deus, ao qual o mesmo confiou a Terra no sétimo dia, quando foi repousar.


O Celestial possui irmãos que são arcanjos como ele, dentre eles Gabriel e Lúcifer. E certamente haverá briga por poder entre os mesmos.



Miguel tem muita inveja e ciúme da raça humana, e não entende por que Deus os ama tanto e lhes concedeu coisas que não deu nem mesmo aos anjos. Não demorou muito para que o arcanjo usasse de seu poder e hierarquia para estimular e comandar a destruição dos humanos, causando o dilúvio e a queda de Atlântida.


Logicamente, muitos não concordavam com ele e alguns chegaram até a se voltar contra o Arcanjo, ficando conhecidos como renegados. Os rebeldes foram assim chamados porque acabaram sendo expulsos do céu e condenados a viver na Terra, no anonimato de sua existência angélia. Vivendo como humanos, passaram a ser exterminados por anjos e demônios, estes últimos comandados pelo próprio Lúcifer.


Posteriormente à expulsão dos renegados, Lúcifer não aceitou o poder dado a Miguel e provocou uma rebelião contra o Arcanjo, a qual logicamente perdeu e foi banido do céu juntamente com os que o apoiaram. Porém, ele não foi para a Terra, e sim para um lugar inóspito, inabitável e sem vida, que mais tarde passou a ser conhecido como inferno.



Após uma leve e simplória introdução ao conflito da história, vamos dar início ao real enredo. Temos então o céu, o inferno e a Terra. Nosso protagonista é Ablon, um dos renegados que, no decorrer da trama, vem a ser o único sobrevivente, tornando-se o mais forte e temido deles, caçado pelos dois poderes (céu e inferno). Entretanto, ambos querem seu apoio, afinal, a batalha do Apocalipse está chegando e quanto mais aliados, melhor.


Com o desenrolar da narrativa, temos vários acontecimentos bíblicos contracenando com registros históricos da Terra: Adão e eva, o dilúvio, a queda da torre de Babel, o nascimento de Cristo, Constantinopla...

A trilogia Filhos do Éden


A história se passa dentro do universo do livro anterior, mas conta com novos personagens, em especial protagonistas, e ocorre em um período de tempo mais curto e similar com a realidade temporal humana. Muitas dúvidas do primeiro livro são respondidas nesta trilogia.


Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida


Bom, vocês já sabem que há conflitos entre os Arcanjos Miguel e Gabriel, e isso provoca uma grande divisão na legião de anjos. Em meio a essa situação, dois celestiais são então enviados à Terra com a tarefa de resgatar Kaira, uma capitã do exército de Gabriel que sumiu em meio à sua missão no nosso planeta. Só que achá-la não é um processo muito fácil, então eles vão ao encontro do Anjo Denyel, um ex-espião em busca de anistia.


O que posso dizer aqui é que a encontram rápido, mas são muitas as coisas as quais enfrentam juntos para entender o que de fato aconteceu com Kaira. Vale ressaltar, também, que muitos dos acontecimentos são ambientados no Brasil. Há também histórias paralelas de outro personagem, o qual se conecta diretamente com a protagonista e toda uma linha de raciocínio dos 4 livros. Muitas perguntas são aqui levantadas e respondidas nos próximos volumes.



Filhos do Éden: Anjos da Morte (2013)


Neste livro temos forte presença de vários eventos do seculo XX, em especial as guerras. E se anteriormente o foco da narrativa era em Kaira e tudo o que estava obscuro em sua história pessoal, no segundo livro o foco é em Denyel.


A trama oscila entre o passado e o presente. O primeiro retrata um Denyel pertencente ao esquadrão de anjos da morte enviados à Terra para estudar os conflitos dos seres humanos. Nesta ocasião, os mesmos deveriam agir como homens e participar ativamente das guerras, cometendo todo tipo de atrocidade. E são nestas páginas que cada vez mais nos afeiçoamos ao personagem, ao mesmo tempo em que suas missões passadas trazem elementos que respondem e conectam-se com informações apresentadas nos livros anteriores, além de apontamentos para o último volume.


Já no presente da narrativa, temos Kaira e Urakin, personagens do livro anterior que, em meio a uma missão dada pelo arcanjo Gabriel, desviam de forma não autorizada e vão em busca de Denyel, o qual está desaparecido desde a última vez em que estiveram juntos.



Filhos do Éden: Paraíso Perdido (2015)


Por fim, nessa tetralogia aplica-se uma regra existente em filmes: nada em um filme é por acaso, tudo tem um porquê. Neste último livro temos a presença da maioria dos personagens, inclusive alguns de A Batalha do Apocalipse, e os elementos que antes ficaram vagando agora se encaixam muito bem.


Temos também a chave de virada da trilogia, diversas coisas que estavam obscuras são elucidadas e as escondidas nas entrelinhas são respondidas. Vale destacar a elucidação da história inicial de Kaira, o que ela é realmente e por que a missão de matar o sentinela foi dada a ela.

Há um spoiler para aguçar sua curiosidade: neste livro temos muito da cultura nórdica (Asgard, Odin, o martelo, as Valkirias...).



É, eu sei, são muitas informações. Contudo, o autor se preocupa minuciosamente em não permitir que o leitor fique desorientado ou confuso em nenhum momento: desde o primeiro livro temos apêndices e glossários como este acima, com informações como linha do tempo, características dos personagens (deuses, anjos, humanos, demônios), as 7 castas angelicas e os 7 Céus, as catástrofes ocorridas na Terra, as batalhas angelicas, entre outros elementos e acontecimentos.


Ah! Não dei nenhum spoiler significativo que irá tirar sua emoção em ler a tetralogia.


Então, se está planejando começar uma leitura, que tal valorizar produtos nacionais? Esta obra é uma ótima e inesquecível viagem para quem quer emergir em um boa história.


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