• Heloiza "h1za" Coelho

Review | The Politician


Não é segredo pra ninguém que Ryan Murphy é conhecido por criar programas que capturam o estado mais sensível do seu emocional, como Glee, Pose e até mesmo American Horror Story.



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The Politician, por sua vez, é a primeira produção de Ryan Murphy para o serviço de streaming da Netflix.



Payton Hobart (Ben Platt) é um estudante do Ensino Médio cegamente ambicioso. Ele está determinado a se tornar presidente de sua classe em Santa Barbara e, posteriormente, o Presidente dos Estados Unidos da América. Isso tudo com o apoio incondicional de sua mãe adotiva, Georgina (Gwyneth Paltrow).

Entre os conselheiros políticos de Payton para a eleição da escola estão James (Theo Germaine), McAfee (Laura Dreyfuss) e a namorada Alice (Julia Schlaepfer). O programa se concentra na candidatura de Payton à presidência da turma, com bastante drama apropriado para o Ensino Médio.


Dizer que a série é superficial e mesquinha é como perder completamente o controle e não poder dizer o porquê de pessoas ferirem seus ideais em prol de suas conquistas pessoais. É um retrato tão autêntico da escola quanto outros programas - apenas um pouco mais estilizado e muito mais dramático.

A única pergunta que vale a pena perguntar é: quem é Payton Hobart e por que você deveria se importar? Basicamente, ele é uma pessoa que temia nunca sentir nada, e então descobre que pode realmente sentir (percebendo ao longo do caminho que o medo é uma emoção fundamental). Sentir o torna humano e quebra sua enorme armadura fria que ele nos mostra nos primeiros episódios.

Sua mãe cria o conflito desde o início com essa frase: "Você pode ensinar bondade [mas] não pode fazer muito com pequenos corações. Corações duros, talvez.".


Ben Platt é excelente, mas ele não é um ator cômico. Isso acaba sendo bom, porque The Politician também não é exatamente uma comédia. Propositalmente, Murphy criou uma dramática, sátira, trágica e romântica história política.

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A leveza e sua sátira política



A maioria dos personagens são perfeitos - talvez um pouco perfeitos demais - e, como tal, não se envolvem em demonstrações emocionais.


Embora essa falta de profundidade emocional possa definitivamente parecer superficial, não é como se os personagens estivessem completamente desprovidos de esperanças. Eles apenas tomaram a difícil decisão de que emoções são apenas coadjuvantes neste show. Sublimar seus sentimentos para se concentrar no bem maior e na tarefa em mãos é, sem dúvida, um dos principais aspectos, e é por isso que podemos dizer que o programa não está realmente interessado em política.

Mas isso não significa que o programa não tenha emoções


Normalmente, os contratempos de um personagem não provocam tanta emoção. Porém, porque a ambição de Payton é quase tudo o que ele tem, tudo fica ainda mais doloroso quando ele falha em seus empreendimentos. E suas conversas com aparições de River (David Corenswet) sobre sua aparente falta de emoção fornecem alguns dos momentos mais ternos e sinceros do programa. O programa nos obriga a considerar o preço da perfeição, especialmente como isso afeta nossa intimidade emocional com os outros. As crianças do Ensino Médio sentem muita pressão para ter sucesso e alcançar seus objetivos, e The Politician faz um trabalho incrível em mostrar isso.


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