• Raissa Sara

Resenha | Descobertas - Nyna Simões @hooeditora


Junho é o mês do Orgulho LGBT+, e por isso essa resenha não poderia ser outra que não um livro LGBT+ para celebrar a data.


Sinopse: "Podemos dormir na barraca de vocês hoje?" Claro que toparam. Eles nem parecem um casal, parecem uma dupla de pilantras, sabe? Um casal de golpistas, não sei. Mas adoraram a ideia, com certeza estão maquinando um bacanal. Pois, sim, só se for com ela, porque com ele... sem chance.


Ana e Júlia são casadas há oito anos. O relacionamento já caiu na rotina e elas decidem viajar pra tentar resgatar a relação. Lá, acabam conhecendo um casal heterossexual que vive um relacionamento aberto, e a convivência com eles é o suficiente para tumultuar ainda mais sua relação.


Em uma escrita leve, bem-humorada e sarcástica, algumas questões sobre relacionamentos e traição são levantadas. Será que há respostas para todas as perguntas?



O enredo tinha tudo para ser um grande drama sobre o relacionamento que esfriou e precisava de uma viagem para ser re-significado. Comprei o livro pela capa e pela sinopse, que me chamaram a atenção logo de cara. Comecei então a leitura com uma grande expectativa, mas quando li umas dez páginas me senti decepcionada. Todavia, considero que só temos uma opinião formada sobre um livro após no mínimo cem páginas lidas, e por isso continuei a trajetória, que não foi ruim o bastante para que eu a abandonasse.


O livro conta a história de Júlia e Ana, duas mulheres que são casadas há oito anos e decidem sair de férias em uma viagem de acampamento com a intenção de uma segunda lua de mel. Mas Ana vai para a viagem a contragosto. Pra piorar, tudo começa a dar errado no caminho para a praia onde iriam acampar, com o carro dando problema e Ana se recusando a ajudar Júlia. A propósito, achei Ana muito egoísta do início ao fim.


A linha temporal do livro também é um pouco confusa. Nesse acampamento, Ana e Júlia conhecem Raquel e Gustavo, que mantém um relacionamento aberto, mas não tão aberto assim. Ana fica possessa de ciúmes quando Júlia começa uma conversa com Gustavo e, a partir desse momento, tudo começa a dar errado no relacionamento das duas, que já não estava muito bom antes da viagem. Tudo era motivo para brigas, até mesmo um silêncio para pensar. Os diálogos são muito desestruturados e sem sentido algum, mas em contra-partida a narração é bem poética em alguns pontos.


Ana sempre queria sair por cima em todos os momentos e eu fiquei torcendo para que ela se desse mal. Ressalto o seu egoísmo constante, pois a história gira em torno de uma traição de Ana em primeiro lugar, por isso ela sempre se mostrava insegura em relação a Júlia e sentia culpa o tempo todo por imaginar que a mesma poderia dar o troco. E no final das contas, o livro se arrasta inteiro entre perdoar e não perdoar, reconciliar e se separar, para o final não ser nada do que foi esperado.


Um livro que fala sobre separação e reconciliação, encontrar a si mesmo, erros e acertos... Como disse no começo, ele tinha tudo para ser um grande drama sobre relacionamento, mas pecou na maior parte da história, com um enredo muito corrido e que poderia ser melhor trabalhado, além da linha temporal confusa. Mas acabou se salvando pelo final poético e inspirador.



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