• Raissa Sara

Resenha | A ilha dos mortos - livro 4 (As crônicas dos mortos)


Rodrigo de Oliveira sabe como criar reviravoltas na história! Acredito que esse livro tenha sido o mais ousado de todos, pois é aqui que toda a história muda de rumo, podendo levar o leitor ao difícil processo de aceitação com algumas perdas. Foi o meu caso, mas garanto que a história só tende a melhorar a partir daqui.


Nessa etapa da narrativa, vamos avançar alguns anos na cronologia, pois Ivan e Estela vão passar seu cajado de líderes para seu filho, Matheus


Atenção! Para evitar spoiler, é importante que você leia as resenhas dos primeiros livros.


Leia também:
Resenha | O vale dos mortos - livro 1 (As crônicas dos mortos)
Resenha | A batalha dos mortos - Livro 2 (As crônicas dos mortos)
Resenha | A senhora dos mortos - Livro 3 (As crônicas dos mortos)
Resenha | Elevador 16 - Spin off (As crônicas dos mortos)

Um homem que nasceu com o sangue de líder é a nova esperança dessa gente. Matheus, filho de Ivan e Estela, agora é o comandante responsável pela segurança de uma cidade inteira. E não qualquer cidade... a primeira completamente livre de zumbis e isolada pelo mar das diversas hordas que ficaram do outro lado da ilha.


Mesmo depois de quase quarenta anos lutando contra zumbis e seus inimigos, os moradores de Ilhabela não conseguem encontrar a verdadeira paz. Já faz um tempo que eles tem que lidar com uma evolução dentro da própria espécie de zumbis (os berserkers), zumbis esses que evoluíram dos zumbis originais no dia do apocalipse. Agora os mortos-vivos estão cada vez mais agressivos, famintos, com força e velocidade sobre-humana e, o pior de tudo, eles conseguem se regenerar mesmo depois de um golpe fatal no cérebro.


“Aquelas criaturas tinham agora uma aparência ainda mais aterrorizante. Após décadas vagando pela Terra, algumas delas sem comer há anos, a pele dos seres secara nos ossos, ficando completamente cinzenta e cheia de escaras.”


Nesse livro, Rodrigo apresenta um inimigo que corre lado a lado com os zumbis e até mais do que a própria Jezebel: o tempo. Como apresentado no livro 2, todas as pessoas que não foram transformadas em zumbis no início, sofriam de alguma anomalia no cérebro e, com isso, começaram a morrer em larga escala, evidenciando um grave problema: os sobreviventes eram em sua grande maioria pessoas que estavam com os dias contados. Como a espécie humana continuaria a caminhar sobre a Terra se aos poucos estavam sendo ceifados pela doença? Se vocês acham que a Senhora dos Mortos fez um estrago gigantesco na vida de Ivan e dos demais, mal podem esperar para ver a chacina que o tempo fez com eles.

O que aconteceu com os sobreviventes depois da batalha com Jezebel? Conheceremos novos personagens que terão grande importância nesse livro, perderemos personagens muito queridos e reencontraremos outros já crescidos. Assim como os zumbis e o tempo são grandes inimigos, não podemos nos esquecer daqueles que guardam a ganância pelo poder dentro de si e que esses traidores estão mais próximos de atingir seus objetivos do que imaginamos.


Ivan foi o personagem que mais cresceu e se desenvolveu em toda a série. Aprendendo com os erros do passado, ele se tornou uma espécie de conselheiro para os mais novos lideres, perdendo a impulsividade que tinha nos livros anteriores (o que muito gente não curtiu no personagem nos primeiros livros). Ivan não só levou os sobreviventes até Ilhabela para viverem relativamente longe do perigo que os cercava o tempo todo, como implantou um sistema de leis e regras, trazendo de volta um pouco de sociedade que fora perdida no dia em que absinto ceifou as almas dos humanos, transformando-os em seres abomináveis.


O livro é recheado de intrigas e mentiras, muitos personagens ainda precisam encontrar a sua redenção, mas não sem antes terminar suas missões para que as próximas gerações continuem prosperando tanto quanto a primeira.


Rodrigo de Oliveira nos entrega uma nova perspectiva da sua história, sem mudar seu jeito desde o primeiro livro. Séries longas podem ser problemáticas, pois é muito fácil de enjoar o leitor com a mesma narrativa, mas Rodrigo foge desse problema com destreza e entrega mais um livro de excelente qualidade e enredo que surpreende, mesmo com a mudança. 


“Ele cobriu o rosto com as mãos e recomeçou a soluçar de forma convulsiva. Nunca se sentira tão vulnerável em toda a sua vida. Porque dessa vez havia se deparado com um adversário absolutamente invencível e impiedoso.”

Uma das melhores partes de se ler uma série de livros é poder avaliar e perceber o quanto o autor evoluiu desde o começo. Mesmo com a série rumando para o seu desfecho, Rodrigo ainda é capaz de aperfeiçoar a história, desde a construção dos personagens ao enredo. Mudanças são importantes para que a narrativa não se torne repetitiva, mas existe o perigo da história tomar um rumo muito distante de sua proposta inicial. Todavia, Rodrigo toma muito cuidado com isso e nos entrega mais uma obra arrepiante e sensacional


Com uma nova realidade e novos personagens, A Ilha dos Mortos se desenrola em um final ainda mais emocionante e com aquele gostinho de quero mais para o último volume da série, A Era dos Mortos, que é dividido em duas partes.


Sinopse: Muitos anos se passaram desde que a maior colônia de sobreviventes do Apocalipse zumbi se  transferiu para Ilhabela. Com o tempo, eis que surge uma evolução dentre os próprios mortos-vivos: os zumbis estão mais selvagens, ágeis e violentos... Este livro traz o surgimento de uma nova era, cruel e implacável, em que a perseverança dos sobreviventes e seus líderes será testada de forma muito diferente. Um livro cheio de reviravoltas, movimentos bruscos, cenas impensáveis.


Para obter o livro 1, clique aqui.
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