Por que X-men: Fênix Negra foi um fracasso?

Atualizado: Jul 15

A saga da Fênix Negra foi um marco nos quadrinhos, além de ser considerada uma das melhores e mais intimistas histórias envolvendo os mutantes. Escrevendo-a em um período onde a Marvel tinha como carro-chefe somente personagens masculinos, o roteirista Chris Claremont estava disposto a mudar esse cenário. A partir dali, a personagem Jean Grey e os X-Men não seriam mais os mesmos.



É certo que antes fomos agraciados com o primeiro filme dos mutantes, X-Men: O Filme, do ano 2000, o qual deu o pontapé inicial na era de ouro dos filmes de super-heróis. Além disso, X-Men 2 conseguiu trazer um pouco da atmosfera presente nas histórias em quadrinhos dos mutantes às telonas. Todavia, tudo começou a desandar quando, em 2006, a Fox tentou adaptar o arco de maneira secundária no filme X-Men: O Confronto Final, que deu muito errado. O longa foi dirigido por Brett Ratner, com roteiro de Simon Kinberg e Zak Pan. Na época, ele foi duramente criticado, tanto pela crítica especializada quanto pelo público.



Em seguida, em Junho de 2017, o site Deadline confirmou que o diretor Bryan Singer, responsável pela consolidação do universo cinematográfico dos mutantes na Fox até então, passaria a tocha para o seu colega e roteirista Simon Kinberg, que faria a sua estreia como diretor. A expectativa em cima do filme era alta, já que a Fox estava com a faca e o queijo na mão para, dessa vez, fazer jus ao arco da Fênix Negra e agradar aos fãs e à crítica.


Boa parte do elenco do filme anterior, X-Men Apocalipse, retornaria para seus respectivos papéis. Além disso, muito se especulou sobre a misteriosa personagem, até então inédita na franquia, que seria interpretada pela atriz Jessica Chastain. Os rumores da época chegaram a cogitá-la como Lilandra, líder do Império alienígena Shi’ar, que caçaria Jean Grey para exterminar a entidade da Fênix Negra.


Outro forte rumor sobre as gravações do filme era a suposta presença da raça alienígena de metamorfos, os Skrulls, que seriam os antagonistas do longa. De acordo com as fontes, o terceiro ato do filme se passaria no espaço, em uma batalha entre a Fênix e os alienígenas. Isso, inclusive, se assemelharia bastante ao filme da Capitã Marvel, o qual também conta com a presença dos Skrulls e possui o terceiro ato realizado no espaço.



Em entrevista para o portal Yahoo!, o intérprete de Charles Xavier (James McAvoy) comentou que o desfecho original estava parecido com outro projeto do gênero.


“O final mudou bastante. Teve que fazer isso. Tinha várias semelhanças e paralelos com outro filme de super-herói lançado recentemente. Não tínhamos ideia que parecia ter o mesmo material de origem."

Com isso, o filme com lançamento previsto para 2 de Novembro de 2018 foi adiado para 14 de Fevereiro de 2019 (que sabemos que também não rolou). Em outra entrevista, desta vez cedida pelo diretor e produtor Simon Kinberg ao Collider, ele afirmou que 14 de Fevereiro era a data planejada para o filme, mas, com o passar do tempo, percebeu que os efeitos visuais não ficariam prontos a tempo.


A data de Gambit, que foi cancelado, abriu. E como o filme não ficaria pronto até 14 de Fevereiro, decidimos adiar mais uma vez e lançar o filme em 6 de Junho de 2019”, diz o produtor sobre a escolha da nova data.

Enquanto isso, vale lembrar, ocorria o processo de aquisição da Fox pela Disney, que acabou abalando todo o calendário e planejamento de filmes dos mutantes pela Fox. Isso acarretou o engavetamento de possíveis filmes, como o da X-23, o da Kitty Pryde (Lince Negra), o do Gambit, o do Homem Múltiplo e o do Doutor Destino. Esse último, inclusive, ainda pode acontecer dentro do MCU, segundo o diretor Noah Hawley (Legion e Fargo), em entrevista ao The Hollywood Reporter.


Outro longa que também foi adiado muitas vezes (bota muitas vezes nisso) foi o Novos Mutantes, o qual segue sem nova data de regravações, porém será lançado pela própria Disney/Marvel. Publicamente, não podemos afirmar que essas negociações afetaram na produção de Fênix Negra, mas nos bastidores muita coisa pode ter acontecido, e o filme assumiu a responsabilidade de encerrar 20 anos desses altos e baixos da franquia mutante nos cinemas.



Simon Kinberg chegou a falar, em entrevistas cedidas em eventos de cultura pop, que Fênix Negra seria um filme mais próximo de Logan, uma produção dramática, intimista e focada em personagens femininas de peso. Elevando ainda mais o hype dos fãs (incluindo esse aqui que vos escreve rsrs), colocou Jean Grey como figura central e levou o relacionamento da equipe ao ápice.


Ate aqui já tínhamos muitas entrevistas e desculpas, mas nenhum material de marketing do longa, somente algumas fotos de bastidores e uma capa de revista promovendo o filme. Um tempo depois, a Fox colocou a equipe responsável pelo Marketing de Deadpool para promover Fênix Negra e, somente em Fevereiro de 2019, tivemos acesso ao primeiro trailer.


Vários pôsteres foram lançados e até um evento promocional global, intitulado de X-Men Day, foi criado no dia 13 de Maio, marcando a data de pré-venda dos ingressos e a despedida dos 20 anos da franquia pela Fox. E como aqui a compra já havia sido concretizada pela Disney, a liberdade para assimilação dos quadrinhos e até referências a outros personagens da casa das ideias estava liberada (Alô Vampira mandando shade para a Capitã Marvel). Kinberg chegou a falar que conversou com Kevin Feige (responsável pelo Universo Cinematográfico da Marvel).


“A única coisa que conversamos em relação à Disney e Marvel foi só como o time de marketing da Disney é excelente, porque a única coisa que a fusão da Disney-Fox afetou em Fênix Negra foi em marketing e publicidade. Eles são ótimos, e eu conheço o pessoal da Disney há um tempo, eu produzi Cinderela lá. Eu dei uma mão com alguns dos novos filmes de Star Wars. É uma jornada histórica que Kevin e a Disney tiveram. Ainda não conversei formalmente com eles sobre os planos para os X-Men.”, diz Kinberg.


Hoje sabemos que nem o marketing milagroso da Disney conseguiu salvar o filme de ter a pior abertura da história da franquia em termos de lucro, e o diretor assumiu a responsabilidade por isso. Em entrevista ao podcast The Business, Simon Kinberg disse que gostou do filme e teve “um tempo maravilhoso” produzindo-o.


No entanto, o processo não foi fácil, uma vez que houve refilmagens e mudanças nas datas de lançamento. Sobre o rendimento inicial de US$ 34 milhões no primeiro fim de semana em cartaz, Kinberg reconheceu que “o filme não se conectou com o público”.


“Eu estou aqui, estou dizendo que quando um filme não funciona, coloque a culpa em mim. Eu sou o roteirista e diretor, o filme não se conectou com o público, isso é comigo.”

Por fim, fica a pergunta: se o filme tivesse sido lançado em sua data inicial, sem regravações e com um bom material de marketing, teríamos um outro resultado? A franquia mutante poderia ter um encerramento digno aos seus personagens?


Isso nós não saberemos... o que sabemos é que os mutantes estão de volta ao lar, e agora nos resta aguardar o que Kevin Feige planeja para os filhos do Átomo nos próximos anos dentro do MCU.

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