dasda.PNG
  • Victor Franco

Por que os bots estão vencendo a corrida por presentes


A Black Friday já chegou e o natal está próximo. São datas de aquecimento no comércio e de compras e trocas de presentes, seja para presentear aquele alguém especial ou então para si mesmo. Entretanto, um aumento considerável de bots pode fazer com que as compras de final de ano e das próximas datas acabem ficando mais caras e os presentes cada vez mais difíceis de se encontrar.



O que são bots?


Bots é a simplificação da palavra "robots" que em português se traduz por robôs. E eles são exatamente isso: programas que rodam ininterruptamente em um computador fazendo alguma ação pré-configurada.


Nem todo robô precisa ter um corpo físico, esses bots são apenas um aglomerado de algoritmos que permanecem rodando. As tarefas que eles podem executar são dos mais variados tipos, desde simplesmente manter organizado os registros de notas de uma escola até controlar pressão de gás nos encanamentos de uma cidade toda ou além.


Leia também:


por que eles estão vencendo?


A era da informação nos propiciou muitas coisas e uma delas é a automação de diversas atividades antes feitas de forma "analógica", mas uma máquina configurada em determinadas condições pode ser infinitamente mais rápida e oportunista que um humano. Um exemplo disso é o fato dos bots não precisarem dormir, comer ou realizar qualquer atividade inerente à vida.


Pois bem, os bots usados em datas de compras variam muito de objetivo e funcionalidades. Existem os chamados "retail bots", que escaneiam os websites em busca do menor preço disponível ou, no caso de produtos fora de estoque, monitoram os produtos para avisar ao usuário no instante que o item estiver disponível para compra. Isso dá ao usuário uma ampla margem de tempo para realizar a compra antes dos outros.


Porém, o problema é que alguns dos bots não se limitam a pesquisar e alertar. Alguns mais sofisticados podem até mesmo comprar automaticamente o produto se o usuário assim desejar e configurá-lo. Foi isso por exemplo que ocorreu com as pré-vendas do PS5 na Grã-Bretanha.



Mas o que a Grã-Bretanha tem a ver com o Brasil?


O lançamento do PS5 na Grã-Bretanha foi marcado pela venda relâmpago de todas as unidades. Alguns sites de revendedores mal tiveram tempo de colocar a página de venda no ar e já tiveram que atualizá-la para mostrar que o produto não estava mais disponível. Poucos segundos depois, os mesmos consoles estavam no e-bay por valores mais altos que o que deveria ser praticado.


Essa compra frenética feita pelos bots faz com que os preços subam de forma rápida, impossibilitando a compra de pessoas comuns tanto pelo preço quanto pela indisponibilidade do produto.


Fora tudo isso, o uso dos bots é ruim também pois devido à pandemia do coronavírus, o mundo todo passa por um problema de logística, o que por si só faz os preços subirem.


Como os comércios optaram por colocar mais itens disponíveis para venda online, além dos bots em si se tornarem mais disponíveis e acessíveis, tudo isso culminou em uma maior dificuldade em manter estoque X preços.


Outro exemplo de como os bots podem bagunçar os preços dos produtos é o que aconteceu no lançamento da Nvidia RTX3080. De acordo com um dos moderadores do grupo BuildaPCSalesUK - um grupo focado em buscar preços baixos para equipamentos de PC na Inglaterra - "pouco menos de um segundo depois do lançamento, todo o estoque de placa já havia sido vendido". Ele completou, dizendo que "usuários nos sites revendedores sequer chegaram a ver o botão de compra, a página já entrou como esgotada".




Como os bots funcionam?


Os chamados "sniping" bots alertam os usuários quando um produto volta ao estoque, permitindo que eles comprem antes de todo mundo, mas também há os bots que são as chamadas "soluções" tudo em um. Eles são capazes de ver o produto e já comprá-lo. Esses bots vieram de um ponto bem inusitado: o mercado de tênis de treino.


O mercado estrangeiro dos tênis esportivos é competitivo e de alta demanda. Normalmente esses tênis são produtos de edição limitada, o que faz com que pessoas formem filas fora das lojas ou tentem "fisgar" algum deles na internet e por isso os primeiros bots foram criados.


Quem faz esses bots?


Os chamados "cook groups" são grupos organizados em canais privados de aplicativos de comunicação como o Discord. Eles trocam informações de possíveis datas de lançamentos, retorno ao estoque de produtos e coordenam seus ataques baseado nessas informações.


De acordo com Thoman Platt da Netacea, o caso mais notório dessa coordenação foi a vez quando um grupo alugou um servidor fisicamente mais próximo ao do alvo dando a eles alguns milissegundos de vantagem do tempo que a internet em geral demoraria pra fazer a transação.


Mas para que isso? Simples. Os scalpers, como são chamados as pessoas que fazem esse tipo de movimentação, competem entre si além dos usuários comuns.




O que isso significa para o Natal e Black Friday?


Tudo que foi relatado e descrito pode dificultar a compra de presentes e itens in-demand, ou seja, itens que tem quantidades limitadas ou são mais difíceis de encontrar ou então itens com grande procura. E nenhum item escapa desse tipo de coisa.


Sabemos que comprar por valor abaixo do preço e vender por um valor acima é a base do capitalismo. O problema se agrava quando a exploração ocorre de forma descarada. O exemplo que o Sr. Platt oferece retrata bem isso."Você pode pegar todos os itens se souber que em duas semanas o valor promocional já vai ter sumido e você poderá vender ao dobro do preço".


Mas talvez nem tudo sejam trevas. Os "scraper" bots, os que apenas buscam os preços mas não realizam mais nenhuma função, podem te levar a um preço mais baixo visto que ele é usado pelas próprias lojas de revendedores para monitorar o preço das concorrentes e para garantir que seus preços não serão menos competitivos.



Por fim, o que podemos fazer sobre isso?


Muitas revendedoras se recusam a comentar suas defesas enquanto os desenvolvedores dos bots simplesmente ignoram chamas para entrevistas.


Tecnicamente não há nada de errado no que eles fazem, já que em alguns países o uso de bots é proibido apenas em alguns setores mas não em todos e em outros nem sequer há regulação ou legislação sobre isso.


Entretanto, as revendedoras e lojas estão criando ótimas soluções.


A Currys PC World confundiu boa parte de seus consumidores quando o PS5 e o Xbox foram para venda. Eles listaram os consoles com um sob preço de 2 mil libras esterlinas e os verdadeiros clientes que realizavam a compra recebiam um vale desconto de £2,005, manualmente inserido no momento do pedido e que deixava o preço no valor real da venda.


Algumas outras lojas estão cobrando o valor cheio do produto no cartão dos clientes para garantir-lhes um lugar na fila do lançamento. Outras ainda preferem comparar listas de pedidos e cancelar os pedidos considerados suspeitos, por exemplo, se um endereço encomendar dúzias do mesmo item.


Fonte: BBC



Se você gostou do nosso conteúdo, te convido a ler nossos outros textos ou ouvir o nosso podcast.



Apoie o Jornalismo Cultural independente seguindo o Otageek no Twitter, no Facebook e no Instagram.
0 comentário
otageek amazon prime .jpg