• Lucas Almeida

Ozark – 3ª temporada


Ao entrar de vez nas consequências reais que os erros podem causar para uma família que está envolvida no esquema de lavagem de dinheiro, Ozark surpreende no seu terceiro ano, trazendo personagens muito bem explorados e uma trama envolvente. A série, que deu uma aula de preparar os telespectadores para os acontecimentos da trama, se torna hoje, sem dúvida, uma das melhores produções Netflix.


Nessa nova temporada, a família Byrde se encontra ainda mais envolvida em meio aos crimes necessários para a continuação de seus negócios. Wendy Byrde (Laura Linney), muito mais ambiciosa do que nas antigas temporadas, disputa o comando dos negócios com seu marido Marty Byrde (Jason Baterman). Prova disso é sua aliança com a advogada Helen (Janet McTeer) e a aproximação com o chefe do cartel mexicano, Omar Navarro (Felix Solis). Assim, com o cassino em pleno funcionamento, Ruth (Julia Garner) se encontra ainda mais envolvida em meio aos negócios da família, principalmente com a chegada do irmão problemático de Wendy, Ben Davis (Tom Pelphrey).


A temporada, que poderia se enfraquecer em focar nessa disputa de marido e mulher, surpreende em trazer esse conflito para o lado profissional. O casal, no final de tudo, deseja a mesma coisa: a segurança da família! Essa que os dois buscam de formas diferentes. Enquanto Marty deseja concentrar os negócios no cassino e deixá-lo o mais seguro possível para investigações que possivelmente ocorreriam por parte do FBI, Wendy deseja ampliar os negócios, seja na aquisição de outra cassino, hotel, fazenda e até na abertura de uma ONG.

Por isso, um dos pontos altos é a interpretação de Laura Linney. O desempenho da atriz acaba sendo surreal! Quando Wendy passa a ganhar novas camadas por causa de seu envolvimento direto nos negócios e principalmente pela entrada de seu irmão na trama, Linney tem uma atuação brilhante, mesmo precisando ser forte em momentos de pura dor.


Quem não teve uma temporada fácil foi Ruth, a personagem que se mantém como o braço direito de Marty e se vê como uma espécie de terceira filha do casal. Ruth, estando em meio a todo aquele caos e pelo evento traumático que lhe ocorreu, se encontra sem nenhuma proteção de Marty, mesmo ele sempre dizendo que ela era “intocável”. Assim, ela começa a questionar até que ponto vale dar a sua vida para continuar leal à família Byrde.

Mas definitivamente o ponto mais forte dessa temporada é a entrada de Ben Davis na história! Além de proporcionar mais uma camada a Wendy e uma aproximação maior com Ruth, Davis é apresentado como um personagem muito complexo, mas de um carisma gigantesco. Ao mesmo tempo que é nos apresentado como uma pessoa brutal e de pura raiva, o personagem é amoroso, carinhoso e incrivelmente preocupado com as pessoas ao seu redor. É claro que essa dupla personalidade de Davis é causada pelo transtorno mental que ele tem, mas a forma como Tom Pelphrey entrega tudo isso é fenomenal!


Marty continua sendo mestre na arte de lavar dinheiro. Porém, dessa vez seu personagem sofre não só ameaças, mas também verdadeiras consequências e perdas quando o verdadeiro chefão do crime desconfia de seu valor e importância nos negócios. Isso ocorre muito pela interferência do FBI, e essa luta de gato e rato entre eles é muito interessante, principalmente pela trama entregar de forma satisfatória as manipulações e reviravoltas que esse arco teria.

Pois bem, Ozark eleva ainda mais a tensão em meio a duas pessoas que se encontram tão envolvidas com o crime, e não há mais escapatória para todo esse caos. Enquanto Marty e Wendy acabam se tornando ainda mais relevantes para os negócios no final da temporada, só aumentou ainda mais a curiosidade do que podemos esperar desse casal na possível e necessária quarta temporada.

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