• Lucas Almeida

Os anos junto ao amadurecimento da Fresno

Atualizado: Mar 9


Se iniciando em 1999 em Porto Alegre, a Fresno surgiu e logo se tornou uma das bandas mais importantes do movimento “EMO”. Movimento a qual conversava diretamente com jovens da época, com músicas melancólicas e letras românticas. O jovem guitarrista, vocalista e letrista da banda, Lucas Silveira vinha com letras fortes e uma pegada depressiva, que fez com que todos os fãs do movimento se conectassem com as canções e escrita do cantor.


Logo a Fresno foi ganhando visibilidade e com a ajuda da MTV, que deu espaço para as bandas que vinham surgindo na época. O grupo colecionou prêmios com o decorrer dos anos. Ganhando o VMB em 2007 e 2009, e o Multishow de Música Brasileira no mesmo ano. Assim, os rapazes tiveram forças para aguentar as críticas negativas que surgiram e com um amadurecimento notório, Lucas e seus parceiros trazem hoje, um som interessante e com elementos diferentes a cada álbum.


A Fresno foi mudando com o decorrer dos anos, não só nas músicas, mas também nos integrantes da banda. Alguns dos nomes mais importantes que passaram por ela, são o baterista Rodrigo Ruschel e o Baixista e compositor Rodrigo Tavares. Ruschel que saiu da banda em 2013, era meio silencioso e um dos menos (se podemos dizer) “populares” da banda. Porém, se obtinha de uma técnica absurda, e sem dúvida ajudou a Fresno a adquirir sua própria personalidade dentre as demais bandas de rock da época. Um ano antes, Tavares já tinha saído da banda. E diferente de Ruschel, o baixista pegou a todos de surpresa. O músico além de ser multi-instrumentista, era responsável pelas composições e considerado pelos fãs, um dos pilares da banda junto ao Lucas.

Dessa forma, após a saída de Tavares, muito se perguntou para onde a Fresno iria. Só que agora, Lucas teria a liberdade para escrever sobre o que bem entendia. Não sei se é coincidência ou não, mas após a saída de Tavares e o nascimento de sua filha Sky em 2016, ficou nítido o amadurecimento nas melodias e composições do vocalista. É claro que, ser o único compositor, ter uma filha e com o passar dos anos, são motivos certos para um amadurecimento como artista. Com isso, em 2016, foi lançado para mim o melhor álbum da banda “A sinfonia de tudo que há”.

O 7º álbum de estúdio foi muito mais do que um novo da banda. É uma reflexão de como enxergar o mundo. E pela primeira vez, o grupo vinha com menos peso nas guitarras e mais na própria sonoridade. Com letras por vezes positivas e com um “pingo” de esperança. Lucas trouxe em suas composições algo mais adulto e de se ouvir com muita atenção. Sua voz que por vezes era a força nas canções da banda, sendo muito forte e explosiva. Nesse disco, ela se encontra mais suave, ou seja, mais limpa. Porém, sem perder a força que tinha nos antigos álbuns. Chamando também a atenção, foi a semelhança com o vocalista Matthew Bellamy do Muse.

Em 2019 Fresno lança a “Sua alegria foi cancelada”, contendo 10 faixas e sendo o 8º disco da banda. O álbum foi uma espécie de renovação para os músicos. A escolha de voltar a uma gravadora e apostar na mudança de identidade visual. A Fresno por incrível que parece, veio com algo completamente novo, seja visualmente e sonoramente. O disco se divide em canções pesadas e outras mais lentas. É claro que quem acompanha a banda a algum tempo, consegue perceber uma evolução bem notória em suas canções. Pois, nesse disco ela não muda os assuntos cantados, mas sim, como ele é tratado. Se vê também muita maturidade no controle das letras junto aos arranjos das canções. O álbum vem com temas sentimentais impostos pela banda como desde seu início. Mas também, como em “Convicção” e “We´ll Fight Togeher”, a banda vem com letras mais politizadas e com um ritmo acelerado e mais intenso como as canções em si precisavam.


Dessa forma, a Fresno hoje está entre as melhores bandas brasileiras, com álbuns inovadores e letras e arranjos mais criativos. Sendo assim, acompanhar a banda desde seu começo se torna uma experiência super bacana para quem gosta de música e é inegável o seu lugar e sua importância dentro do rock nacional.

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