O Lobo Atrás da Porta: muito mais que um história de amor, ciúme, ódio e vingança


Sinopse: Sylvia (Fabíula Nascimento) vai à creche buscar a filha e lá descobre que a menina havia sido levada por uma outra mulher, que não conhecia. Desesperada faz a denúncia do sequestro.


O delegado a interroga, assim como faz com seu marido Bernardo (Milhem Cortaz) e Rosa (Leandra Leal), a amante dele, da qual até que se prove o contrário é maior suspeita pelo desaparecimento da criança.


Leandra Leal / Milhem Cortaz / Fabíula Nascimento


Sobre o filme


A narrativa do filme é inspirada em fatos reais que ocorreram nos anos de 1960. No entanto, aconselho o caro leitor, caso não queira perder a emoção do filme, a não pesquisar sobre.


O filme é dirigido e roteirizado por Fernando Coimbra, que teve contato com a história verídica no final dos anos 90 e desde então passou a pesquisar sobre os fatos. Somente em 2013 veio a concretizar o filme.


O elenco na pré-estreia do longa, em 2013. / Foto: Marcello Sá Barretto / AgNews

Lançado em 2013 e pertencente ao gênero de Thriller/Crime, o filme conquistou prêmios internacionais como o prêmio Horizontes Latinos na 61ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebatián, na Espanha. Já no Brasil no ano de 2015 conquistou 7 categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro como Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Direção e Roteiro Original (Fernando Coimbra), Melhor Atriz (Leandra Leal), entre outras categorias.


A narrativa é desenvolvida de um forma não linear, a maior parte da história é contada a partir dos relatos dos personagens apresentados em flashback.


Outro recurso cinematográfico bem desenvolvido é como o diretor usa os enquadramentos e ângulos para dizer um pouco mais sobre um personagem específico. Em muitas cenas tem-se o personagem de perfil, fazendo com que o espectador veja apenas um de seus lados, como se o diretor quisesse dizer que há um lado obscuro nele.



Muito mais que uma história de amor, ciúme, ódio e vingança


Entretanto, o ápice do filme é quando ele faz jus ao nome "O Lobo Atrás da Porta", revelando não apenas um, mas dois lobos em pele de cordeiro. Ambos cometem crimes horríveis, mas apenas um é condenado criminalmente e socialmente por seus atos. E por que isso?


Porque um desses “lobos” na verdade não estava tão oculto e tão à espreita assim. Ele já cometia atos covardes e cruéis, mas que são suavizados por motivos que o próprio espectador terá de ver o filme e descobrir.

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Essa é uma história que traz assuntos que envolvem o universo da mulher. É um filme que deve pautar discussões que frisam falar sobre a construção de personagens femininas e de questões que permeiam o machismo. Uma narrativa que provoca reflexões sobre qual é a imagem e o julgamento que damos aos homens e as mulheres quando cometem crimes.



Um longa que gera perguntas que instigam o espectador a repensar seus “valores”. Afinal uma vida só é considerada vida quando esta é interrompida/assassinada por uma mulher?


Acredito que o caro leitor pode achar que soltei alguns spoilers um tanto confusos. Pode ser que sim, mas na verdade, apenas inseri reflexões que farão sentido após assistir ao filme.


Ah! Não é um filme feminista!


O longa provoca comparações, afinal, ele foi lançado em 2013 e de lá para cá o quanto tem evoluído ou não a representação das mulheres em narrativas audiovisuais brasileiras?


O quanto o espectador se sentirá incomodado ou não com a maneira em que foram desenvolvidas as personagens femininas na obra e, principalmente, a forma como estas são vistas e tradas pelos personagens masculinos?


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