• Felipe Braga

O absurdo artístico de Monogatari

Atualizado: Abr 19

Com inspirações no cinema francês, nas obras dadaístas e no surrealismo, Monogatari cria uma obra densa e poderosa. 

A serie literária Monogatari, com a primeira edição publicada em 01 de novembro de 2006, é um dos marcos da grande mudança no cenário da mídia escrita e animada japonesa, sendo um dos encadeadores da ascensão das ligth novels, uma mídia de romances ilustrados que se popularizou principalmente na internet.

Com elementos sobrenaturais e comédia a obra conta a história de Koyomi Araragi que durante um recesso escolar é transformado em um vampiro, futuramente tendo que resolver problemas com relações a criaturas místicas, deuses e monstros que acontecem a sua volta.

O autor Nishio Ishin traz em sua história diálogos complexos, engraçados e em certos momentos altamente intensos, sendo esse fator um dos principais atrativos da obra. As conversas dos personagens são desde os assuntos mais chulos, como uma discussão sobre a pronúncia do nome do protagonista, aos mais complexos, como um debate sobre existencialismo.


Das folhas a TV

De 3 de julho a 25 de setembro de 2009 o estúdio Shaft publicou sua adaptação de Bakemonogatari, utilizando dos 5 primeiros arcos dos livros, com uma ótima recepção da comunidade o estúdio continua adaptando as obras de Nishio, sendo a mais recente uma trilogia de filmes que contam os eventos de kizumonogatari (novel).


Um dos fatores que causaram a ótima recepção do anime é sua forma de direção e de escrita, que mantem o dialogo extenso e intenso do livro mas com um dinamismo nos visuais e estéticas que frequentemente se alteram, assim, criando um ambiente, praticamente, cinematográfico com ângulos não convencionais na mídia em que a obra é exibida. É frequentemente citado na comunidade uma relação entre as obras do diretor Tarantino e as adaptações de Monogatari, sendo correlacionado a forma de apresentar dialogo que ambos trazem, colocando este em foco, e a violência exagerada que é apresentada em suas cenas de ação.


Quebrando os padrões


Um dos destaques do anime é sua escolha estética que cria, frequentemente, imagens surrealista e ideias diferentes, isto é, mostra pela constante mudança, da palheta de cor ou do estilo da animação, o fluxo do dialogo e sua direção ou a alteração da atmosfera em que os personagens se encontram, um bom exemplo é a cena de luta em bakemonogatari onde o sangue dos personagens mudam de cor, durante todo o combate, para representar o caos da situação.


Outra questão estética muito presente é o uso de colagens e reapropriação de imagens reais em cenas, tornando alguns frames em obras de artes saídas de uma exibição dadaísta com inspirações japonesas. No anime tal estética é usada de forma a criar um peso aos personagens, isto é, dar um fator real a momentos absurdos ou dramáticos das historias antecedentes, até dado momento, dos personagens. Essa ideia se mostra em muitos momentos de bakemonogatari, cenas nas quais os personagens contam suas histórias ao conhecer o protagonista, e em kizumonogatari, que por si conta uma história anterior as outras.


Por fim, é frequente o uso estilizado de câmeras e cortes nas cenas, isto é, em muitos momentos são utilizados “closes” em certas partes dos corpos dos personagens, geralmente olhos e boca, para transmitir sua emoção e acentuar suas ideias e muitas transições são feitas utilizando de flashes na tela, estes possuem o objetivo de transmitir o sentimento de que o leitor está consumindo um livro animado, que geralmente contém kanjis, trechos dos livros e números de paginas.


Com sua historia dinâmica, dialogo forte e temas poderosos a obra já se garantiria como um bom anime, mas ao somar a estética única e a animação excepcional ele atravessa a escala e se encaixa como uma obra-prima, um clássico moderno dos animes.


Nota: 5/5 (Clássico) 

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