Nell e a sua relação com a Comunicação e Linguagem

Atualizado: Ago 28

Uma mulher que apresenta problemas na fala, vivia com sua mãe em uma cabana na floresta, isolada das pessoas e do mundo. Sua mãe morre e ela se encontra sozinha e a situação preocupa as autoridades por sua dificuldade de comunicação. Mas sera que essa dificuldade pode vir a torna-se um obstáculo para sua reintegração a sociedade? É o que vamos conferir no review abaixo.


Nota do autor: O review abaixo foi escrito para um trabalho da disciplina de Teoria da Comunicação I do curso de Jornalismo da faculdade ESAMC e poderá conter alguns SPOILERS da trama.


Em vida, a mãe de Nell (Jodie Foster) apresentava problemas de articulação da fala, e consequentemente por ser o único contato social e referência para desenvolvimento da própria linguagem, Nell acaba gerando um dialeto próprio. A personagem tinha também uma irmã gêmea que faleceu, ainda criança. Como elas não tinham nenhum contato com outros seres humanos, o mundo delas era restrito a aquela região da floresta.

No primeiro ato do filme, Nell é encontrada pelo médico, Dr. Lovell (Liam Neeson) e a trama do filme gira em torno da decisão do que fazer com Nell, Ela seria capaz de viver sozinha na floresta? Deveria ser internada em um hospital?


As autoridades queriam interna-lá, porém o Dr. Lovell conseguiu em tribunal um prazo de três meses para avaliação e observação do comportamento e cotidiano de Nell. A psicóloga Drª Paula ( Natasha Richardson) embarcou nessa jornada com o Dr. Lovell e juntos passaram a observa-la. Com a aproximação de Nell e a gradual descoberta do passado da jovem, foi despertado no médico e na psicóloga uma reflexão sobre as diferentes possibilidades que poderiam tomar em suas vidas.


O prazo de três meses foi suficiente para que eles reconhecessem as capacidades de Nell, mas a autoridades insistiam em um julgamento para a jovem. Durante a audiência, no tribunal, Nell consegue através da interpretação de seu dialeto, pelo Dr. Lovell, convencer a todos de sua autonomia e maturidade. Assim Nell passa a ter o direito de morar sozinha em sua casa, onde sempre viveu.


A produção do longa se destaca pela atuação do elenco, principalmente de Jodie Foster, que transmite uma personagem complexa e sensível com maestria. O filme reforça que para a comunicação seja eficaz é necessário a compartilhação de um código. A tradução e interpretação da comunicação verbal de Nell, se deu pela semelhança entre o código transmitido com o Inglês, porém de uma forma arcaica, reproduzindo algumas consoantes e vogais soltas. Com o passar do período dos três meses, Nell passou a desenvolver e acumular conhecimentos linguísticos.

Outro ponto a se destacar na trama é que Nell, apesar de viver isolada, não era uma selvagem, ela tinha rituais diários, baseados na sua experiência de vida com sua mãe e sua irmã, como banhos noturnos, afazeres domésticos e as suas recordações do passado. Com isso podemos concluir que em contato com uma cultura diferente, o ser humano passa a ter uma noção mais coerente de sua própria cultura.


O roteiro do filme foi escrito por Willian Nicholson e Mark Handley, com direção de Michael Apted e protagonizado por Jodie Foster, Liam Neeson e Miranda Richardson. O longa foi lançado em 16 de dezembro de 1994 e conquistou os prêmios de Melhor Atriz Principal no Sindicato dos Atores, Melhor Atriz Estrangeira no Prêmio David di Donatello e Melhor Atriz em Filme de Drama no People’s Choice Award. O filme ainda teve uma indicação ao Oscar de melhor atriz para Jodie Foster em 1995, que perdeu naquele ano para Jessica Lange (SUPREMA) em Blue Sky.

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