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Entrevista | Thiago Foresti conta sobre suas influências em 'Escola Sem Sentido'


Em entrevista ao Otageek, o diretor Thiago Foresti falou das suas inspirações e a importância da educação no curta Escola Sem Sentido


O curta Escola Sem Sentido, de 2019, fez parte do 13º Festival de Filmes Curtos e Direitos Humanos, o Entretodos, que aconteceu este ano dos dias 13 a 26 de setembro. Fazendo uma reflexão sobre os rumos tomados na organização do sistema brasileiro de educação, o diretor do filme Thiago Foresti nos leva em uma viagem ao passado.


Confira a entrevista na íntegra!



Otageek - Um tema tão necessário a ser discutido nos dias de hoje são os problemas no sistema educacional e o movimento Escola Sem Partido, que ganhou força nos últimos anos. Quando você entendeu que era hora de falar sobre isso e a maneira para abordar o tema?


Thiago Foresti - Foi logo após as eleições de 2018. Dentre todos os temas que pareciam que seriam alvo de um retrocesso gigantesco, a educação parecia ser o mais urgente. Nossa impressão era que se a censura avançasse para as salas de aula, seria muito difícil reverter tudo o que viria a seguir.

Otageek - A narrativa é bem dinâmica, mesmo tendo uma narração que não é em nossa língua nativa. Por que usar uma pessoa falando em alemão ao invés do português?


Thiago Foresti - O objetivo é fazer referência ao regime nazista, que também censurava autores e queimava livros. O desenrolar da política brasileira apresenta paralelos muito sinistros com o avanço do nazismo na Alemanha do início do século passado. O objetivo era inserir uma personagem misteriosa cuja identidade fosse revelada apenas ao final.


Otageek - As relações entre passado e futuro são muito bem estabelecidas, mostrando claramente que a história se repete. Isso já era algo previsto no roteiro ou uma ideia que foi amadurecendo com o tempo?


Thiago Foresti - Sim, era o ponto central do roteiro, tentar prevenir ou alertar para que a história não se repetisse mais uma vez. Como disse anteriormente, os paralelos são muito sinistros, tanto na forma como na estética. Um exemplo é o secretário de Cultura que copiou a estética nazista em um vídeo institucional.


Otageek - Os atores são sensacionais. Como foi a escolha desse elenco e dos locais de gravação?


Thiago Foresti - Tudo foi realizado de forma voluntária. Os atores se aproximaram do projeto de forma natural, sem realização de casting. O bom resultado é graças ao trabalho de preparação de elenco realizado pelo José de Campos, um preparador aqui de Brasília. Realmente o resultado foi surpreendente.


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Otageek - Você homenageou os professores e mostrou como sua influência nos guia para um bom aprendizado. Existe alguma história que também influenciou o seu filme de forma direta ou indiretamente?


Thiago Foresti - O filme contou com a consultoria de um grande amigo e educador, o professor Júlio Resende, que atualmente mora em Cuiabá. A inspiração para a história veio de nossas conversas entre educador e comunicador. Ele assina o projeto como consultor pedagógico, pois ajudou a revisar o roteiro e me deu várias dicas de como construir o argumento do filme.



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