• Heloiza "h1za" Coelho

Entrevista com João Ilha | A nova leva de artistas virtuais

Atualizado: há 2 dias


O Twitter e o Instagram vêm importando cada vez mais artistas digitais no cenário atual. É difícil se manter nas redes sem qualquer tipo de referência artística. De hobby a profissão, conheça agora um pouco de João Ilha.



João Ilha é um ilustrador de Florianópolis (SC) e tem 26 anos. Fez barulho recentemente com uma das maiores Collab's Brasileiras.


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Otageek: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou desde que se descobriu um artista?

@lhajoao: Acho que o maior desafio que eu enfrentei como artista foi o de entender como eu poderia estudar e exercitar o que eu queria fazer. Desde criança eu tinha desejo de trabalhar com algo ligado a desenhos e animação e via na dublagem uma carreira perfeita pra isso. Sempre amei estudar dublagem, mas é uma área muito difícil de se seguir para alguém que não mora no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Cheguei até a começar uma faculdade de Artes Cênicas mas não deu muito certo e acabei largando. Depois disso comecei uma faculdade de Design (que tinha matérias de Animação também) mas também não funcionou pra mim, na época. Sempre precisei trabalhar e estudar ao mesmo tempo pra conseguir me bancar e ajudar meus pais, então foi um período muito complicado onde eu foquei pouquíssimo tempo em produzir e estudar e, eventualmente, acabei largando a faculdade para aproveitar uma oportunidade de emprego que estou até hoje, onde trabalho como editor de vídeo. Daí pra frente as coisas melhoraram bastante e eu consegui entender muito melhor o meu processo de aprendizagem e de criação como artista. Foram longos anos até chegar nesse ponto e, em boa parte desse tempo, eu produzia muito pouco ou nada. Houveram momentos, inclusive, onde considerei que desenhar era uma das atividades que eu menos gostava de fazer porque não era nada prazeroso pra mim. Felizmente tudo isso foi superado, mas foi bem complicado.


Otageek: As redes sociais atualmente têm um grande impacto na vida de um artista, você acha que isso tira um pouco daquilo que chamamos de “tradicional”?

@lhajoao: Hoje em dia eu acredito que as redes sociais têm um grande impacto na vida de qualquer pessoa, por mais desligada do mundo digital que ela pessoa possa ser. Como artista, a gente precisa de visibilidade e divulgação pra conseguir alcançar mais público e ter qualquer tipo de rentabilidade no que a gente faz. E eu acredito que as redes sociais, quando bem usadas, nos dão essa oportunidade de ir surfando de onda em onda e angariando visibilidade, seguidores, oportunidades de trabalho e até parcerias muito especiais. Essa última eu considero a mais importante de todas, foi o que mais me deu retorno até hoje. É muito difícil ser um artista independente hoje em dia sem fazer contatos e crescer de forma comunitária, e as redes sociais tão aí pra nos ajudar a tornar esse senso de comunidade mais palpável e próximo. O “tradicional” é um conceito que se adapta através do tempo em todas as áreas, não só na arte, e agora é hora de se adaptar de novo.



Otageek: Você tinha alguma ideia do quão grande a Collab do Cartoon iria ser?

@lhajoao: Eu não fazia a menor ideia! Quando bolei a Collab, eu joguei a ideia em um grupo de amigos ilustradores e perguntei quem se animava de participar. Minha intenção era que a gente fizesse alguns protagonistas só. Como o Iago Machado ( iago.desenha no Instagram) e a Gabriela Koga haviam recém feito collabs bem grandes (De Super Smash Bros e Studio Ghibli, respectivamente) eu achei que seria bacana plantar a sementinha no Twitter e ver se teria algum engajamento. Fiquei muito surpreso com a repercussão dos primeiros tweets cogitando a collab e decidi por deixar a lista de personagens em aberto, mas não esperava nunca que teríamos mais de 600 artistas inscritos na collab e mais de 500 artes enviadas. Foi tão grande que o próprio perfil do Cartoon Network Brasil engajou na Collab, participando e divulgando as artes do pessoal!


Otageek: Como ilustrador, você sente que já chegou onde gostaria?

@lhajoao: Eu acho que a gente nunca sente que chegou onde gostaria, né? Haha. Eu sinto que ainda preciso melhorar bastante o meu processo e estudar formas e estilos diferentes pra não ficar sempre no mesmo. Em relação a profissionalizar o que eu faço, acho que ainda tô bem longe, mas sinto que é um passo um pouco maior que minha perna no momento e, se tem algo que aprendi no passado, é que a gente precisa dar o tempo certo pra cada etapa do nosso processo de aprendizado, se não vira uma grande bola de neve que a gente não consegue acompanhar.

Otageek: Qual a maior dificuldade no seu processo de criação?

@lhajoao: Eu tenho muita dificuldade em começar. Geralmente tenho muitas ideias, mas não consigo colocar elas no esboço e isso é muito frustrante, então essa parte sempre é a mais difícil. Quando vou desenhar algo sem pretensão nenhuma ou por puro lazer ou então quando a ideia surge de forma natural, o processo inteiro se torna muito mais fácil. Eu noto que, sempre que eu “derroto” a barreira de finalizar o esboço, o desenho flui muito mais fácil e rápido. Pra mim o esboço é, tipo, 80% do meu processo de criação, o resto vem muito naturalmente enquanto vou finalizando o projeto.



Otageek: Recentemente você indicou muitos artistas nas suas redes sociais, teria mais alguns para nos recomendar?

@lhajoao: Posso indicar alguns dos principais que coloquei lá? Eu indiquei artistas que sigo e me ajudaram, de certa forma, a chegar no estilo que eu tenho hoje. Seja por inspiração, com ajudas pontuais, ou até com apoio nas redes. A lista é bem grande haha, mas acho que os principais nomes que eu gostaria de citar são minhas duas principais influências, que são o Paulo Moreira ( @paulomoreirap no Instagram) e Monge Han.

Além deles, eu me sinto diariamente inspirado por alguns amigos pessoais como Caio Montanini (@c.montanini no Instagram), Aryel Meireles (@aryelmeireles no Instagram), Kenji Lambert, Gabriela Koga, Iago Machado (@iago.desenha no Instagram), Barbara Knupp, Ana Rocha (@anarochart no Instagram), Nicholas Okochi , Beatriz Saegesser (@beasae no Instagram), Veve Barros (@gamathree no Instagram), Hafu, Anatriz (@anatri.z no Instagram) e Julia Santos (@jusanart no Instagram), dentre muitos outros nomes que ficaram de fora da lista mas sempre me inspiram cada vez que vejo pela timeline. Encontre o João nas redes sociais: Twitter e Instagram.

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