Entrevista com Flávia Borges autora da HQ nacional: Maré Alta

Maré Alta é o primeiro trabalho independente de Flávia Borges ou @breezespacegirl, como é conhecida no Instagram, lançado na CCXP de 2018. A narrativa conta a história de Carol, que horas antes de partir para uma viagem com Manu, terá que mergulhar em um processo de autoconhecimento e autoaceitação, lidando com seus sentimentos em relação a Manu em meio de uma crise de ansiedade. Maré Alta é uma narrativa quase sem falas, onde tento explorar a história traduzindo os sentimentos da protagonista por meio de símbolos e cores. Confira aqui a nossa analise do quadrinho!


A HQ foi indicada pelo Omelete nas 50 HQs nacionais para ficar de olho na CCXP18, uma das 86 obras indicadas ao Prêmio Grampo 2019 e também foi indicada em duas categorias no 35° Troféu Angelo Agostini (Melhor lançamento Independente de 2018 e Melhor Desenhista 2019).

Bom, sem mais delongas, vamos para a entrevista:


OTAGEEK: Flávia, para iniciar gostaríamos de saber como foi o processo criativo de Maré Alta?


FLÁVIA: Meu processo criativo para produzir Maré Alta começou de um exercício que fiz em um curso de roteiro. Foi o primeiro roteiro que desenvolvi, e para transformar em hq em mexi nele por um bom tempo. Foram mais ou menos uns dois anos até finalizar totalmente (roteiro, rascunhos e arte final) e lançar na CCXP de 2018.


OTAGEEK: Sabemos que a criação de historias em quadrinhos não é nada fácil, e para você qual foi a maior dificuldade durante o processo de criação de Maré Alta?


FLÁVIA: A maior dificuldade durante o processo foi ter segurança para lançar o meu primeiro quadrinho, e conseguir fazer as pessoas captar a mensagem por meio do desenho, sem as falas.


OTAGEEK: Você tem algum artista que te inspirou para a criação do Maré Alta?


FLÁVIA: Tenho muitos artistas que me inspiram. Para o Maré Alta, a maior inspiração foi a hq “Além dos Trilhos”, da @miktakahashi e o quadrinho “Quando tudo começou” da Bruna Vieira com o desenho da @lcafaggi.


OTAGEEK: Sabemos que ilustradoras de quadrinhos independentes ainda não possuem a visibilidade que merecem no Brasil. Você poderia recomendar algumas para os nossos leitores?


FLÁVIA: Grande parte das ilustradoras que eu admiro são nacionais. Sempre dá branco na hora de lembrar, mas alguns nomes de mulheres que lembro no momento e que vale a pena todos conhecerem são: @pri_wi, Fefê Torquato (instagram), @Ellie.irineu, @helodangeloarte, e @kaolporf (tem muitas outras que eu poderia ficar citando mas ficaria uma lista gigante hahaha).


OTAGEEK: Qual será o seu próximo trabalho? Pode nos adiantar algo?


FLÁVIA: Tenho alguns projetos planejados para lançar ainda esse ano, um deles já está no catarse, que é um livro infantil que estou participando com outras ilustradoras incríveis (inclusive, mais ilustradoras para seguirem e conhecer o trabalho hahah). Se chama “Quando Descobri Que Eu Menina”. A ideia é cada ilustradora desenhar o relado da outra, trazendo assim essa troca de experiências. Se for financiado levaremos para a CCXP desse ano. Segue o link da campanha: https://www.catarse.me/quandodescobri


OTAGEEK: Flávia você tem noção da importância do seu trabalho? E que você esta

representando pessoas e situações humanas que muitas vezes são invisibilizadas?


FLÁVIA: Sobre representar pessoas que nunca tiveram muita visibilidade, sempre foi um dos meus objetivos, até por eu fazer parte desse grupo de pessoas (como ser uma mulher negra por exemplo). Fico feliz por receber mensagens de pessoas que se identificam de alguma forma com o meu trabalho, principalmente quando recebo esse feedback pessoalmente em eventos, pois o impacto fica mais real e próximo de certa forma.


OTAGEEK: Para finalizar, conte aos nossos leitores como eles podem adquirir ao Maré Alta?


FLÁVIA: No momento está esgotado, mas até ao fim do ano vou estar com a segunda edição para a CCXP. Assim que eu estiver com a nova tiragem em mãos eu vou divulgar no meu Instagram @breezespacegirl!




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