• Ian Paranhos

Elizabeth Holmes - do Vale do Silício ao Tribunal Federal


Elizabeth Holmes é uma empresária da área de biotecnologia que fundou o laboratório Theranos, de exame de sangue. Ela foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela Times e estampou a capa da Forbes como uma das jovens bilionárias da atualidade, sendo além disso citada na mesma revista em outras situações que demonstram mulheres poderosas. Porém, em 2016, foi proibida de atuar no setor da saúde, teve o valor alterado na Forbes de uma fortuna de 9 bilhões para 0 dólares e está atualmente em julgamento.



Para entender essa queda avassaladora, precisamos voltar um pouco e conhecer melhor a história dela. Elizabeth era uma estudante de 19 anos que cursava engenharia química na Faculdade de Stanford. Todos ao seu redor naquele local já percebiam uma imagem confiante e inovadora. Não se tem muitos dados sobre como foram os anos dela na faculdade, apenas sabemos de suas excelentes notas e seu espírito criativo típico do Vale do Silício.


Elizabeth, durante essa época, com o apoio dos professores e de todos que conversavam com ela, desenvolvia uma ferramenta que prometia ser capaz de dar resultados precisos do estado de saúde de uma pessoa apenas com algumas gotas de sangue, acelerando todo o processo médico e diminuindo a dor dos pacientes. Inaugurado em 2013, o dispositivo se chamava Edison e, mesmo não mostrando nada que comprovasse sua eficácia, a inspiração que Elizabeth trazia e sua aula de como vender uma ideia fizeram com que a Theranos se tornasse a nova queridinha do Vale do Silício.



Elizabeth começou então a deslanchar no mercado tecnológico, sendo comparada com Steve Jobs e posta até mesmo como uma ressurreição feminina dele. Ela o idolatrava e não disfarçava a cópia total de todas as suas ações e estilos, se vestindo, por exemplo, sempre com gola tartaruga e toda de preto. Seus discursos, como os de Jobs, sempre impressionavam. Elizabeth tinha a incrível capacidade de levar seu produto nos maiores laboratórios farmacêuticos do mundo e mesmo os produtos não funcionando ela conseguia vender a ideia de que um dia aquilo iria ser incrível, um dia aquilo mudaria o mundo... a ideia disruptiva de Elizabeth Holmes tinha conquistado o planeta todo.



Tudo começou a ser desmascarado quando John Carreyrou e alguns farmacêuticos e médicos estranharam o fato da rede de fármacias Walgreens, que investiu fortemente na Theranos e colocou a máquina em 40 de suas quase 8000 lojas, estarem utilizando testes convencionais de exame de sangue para comparar com os da Edison, a máquina disruptiva.

John Carreyrou, então, fez uma matéria com um ex-trabalhador da Theranos, que era quase uma máfia da qual não saía nenhuma informação. Após John mostrar ao mundo a verdade sobre a empresa, as máscaras caíram e não adiantaram apenas "desculpas".



Elizabeth começou a fazer discursos com um teor mais sério e buscando desmentir os ataques que haviam sido feitos à Theranos, mas não adiantava mais nada. Diversos processos começavam a cair e ela enfim foi banida do setor da saúde e desvinculada de todos os títulos que havia ganhado. O peixe morreu pela boca. Elizabeth, no momento, está se livrando de parte das dívidas que a foram imputadas devido ao seguro que os investidores tinham, porém o julgamento que poderá fazer ela passar 20 anos na cadeia por fraude está previsto para o mês de Agosto de 2020.


Hoje em dia, nesse mundo de ideias inovadoras, de disrupção e criatividade, investidores tem que tomar cuidado, principalmente no ramo tecnológico, no qual é meio desconhecido o que realmente é possível e o que ainda não é. Nem todo unicórnio é real, alguns são apenas cavalos com chifres falsos. Nunca baseie algo em uma mentira. Elizabeth Holmes é um exemplo de uma pessoa cega pelo dinheiro que esperava que sua mentira magicamente virasse uma inovação, uma realidade. Como disse Jina Choi, diretora da SEC em San Francisco, "os empreendedores que buscam revolucionar e causar uma disrupção na indústria devem dizer a verdade sobre o que a sua tecnologia pode fazer hoje, não o que esperam que ela faça um dia".




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