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Crítica | Uma nova geração de 'Jovens Bruxas: Nova Irmandade'


Anunciado em 2019, Jovens Bruxas: Nova Irmandade seria o segundo projeto da Blumhouse a ser dirigido por uma diretora lançado nos cinemas. Porém, devido à pandemia, o projeto esteve com data indefinida até algumas semanas atrás, quando a produtora soltou o trailer do filme na internet e torceu o nariz de alguns fãs xiitas do longa de 96, enquanto o novo continuava a ser aguardado por outro público.


O novo filme do universo das bruxas chega aos cinemas com a direção de Zoe Lister-Jones e no elenco temos Cailee Spaeny, Gideon Adlon, Lovie Simone, Zoey Luna e Michelle Monaghan, ou seja, uma equipe bastante feminina.



O longa de 1996, Jovens Bruxas, tornou-se um clássico do terror com o passar dos anos, além de inspiração para seriados de televisão como, por exemplo, Charmed, criando uma expectativa gigantesca para o novo filme, pois se trata de uma roupagem nova para um clássico.


Em "Jovens Bruxas: Nova Irmandade" somos apresentados à Lily, uma garota que está se mudando para a cidade do namorado de sua mãe e logo se junta fortemente com outras três meninas, as quais fazem-na revelar o seu poder. Acontece que, ao longo da trama, Lily vai percebendo as consequências das ações que o clã toma, afetando sua vida drasticamente e trazendo segredos e revelações do passado.



No ano passado, a Blumhouse lançou um remake de Natal Sangrento, o qual foi massacrado pela crítica mas, por algum motivo, conseguiu entreter e desviar a atenção do espectador para a tela.


Agora também não é uma situação diferente, já que o filme é altamente divertido e carismático. Zoe Lister-Jones consegue extrair reações naturais de seu elenco adolescente, abordando a juventude confusa através da ótica da protagonista e usando os poderes da bruxaria como uma simbologia para os ritos de passagem da idade.


As atrizes também trazem um ar caótico ao longa, principalmente Cailee Spaeney, que consegue ser uma protagonista confusa mas constrói certo interesse por sua personagem, saindo dos estereótipos irritantes das personagens sonsas de filmes adolescentes.


Ademais, as outras três atrizes que completam o clã também são ótimas novatas, cada uma dando o seu toque especial à trama e colorindo o filme com carisma.



O problema de Jovens Bruxas: Nova Irmandade está em sua segunda metade, quando o filme parece não apresentar nenhum conceito sólido para concluir o argumento de seu roteiro. Basicamente, a história de Zoe não é forte o bastante para convencer o espectador a criar empatia pelo enredo.


O excesso de subtramas que o longa vai acumulando torna-o cansativo e incompleto, trazendo a sensação de que a diretora não sabia muito bem para onde queria levar sua história. Mesmo tendo paixão pelo original, aqui ela não consegue corrigir os problemas do mesmo nem atualizar o texto de forma sublime, pois todas as novas informações parecem jogadas na trama para cumprir um checklist.


O marketing do filme também não o ajuda a criar um público alvo, portanto, o espectador pode se sentir deslocado quando assiste o resultado final, já que não houve tempo para saber a quem o filme se direciona, podendo trazer olhares mal intencionados para a obra.



Outro grande problema está em como o longa está sendo tratado, porque é vendido como uma sequência para Jovens Bruxas de 96, mas parece muito mais uma espécie de soft reboot, sem a intenção de se conectar com a obra original. Isso fica claro quando o único conectivo com o primeiro filme é apresentado de forma esdrúxula.


Com erros e acertos, Jovens Bruxas: Nova Irmandade é algo digno de ser conferido para tirar suas próprias conclusões, porque ainda é divertido, aconchegante e até mesmo escapista, servindo como uma luva para o caótico ano de 2020. Entretanto, ainda há falhas visíveis em seu roteiro, as quais podem tirar o espectador do filme. Ainda assim, não é como se fosse uma total perda de tempo.

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