• Nathy marro

Crítica | The Old Guard


Não há como negar que a Netflix vem apostando cada vez mais nos filmes de ação, e a aposta da vez é a adaptação da Graphic Novel The Old Guard, de Greg Rucka e Leandro Fernández. Ela traz uma das questões mais representadas dentro da sétima arte, a imortalidade, só que de uma maneira nova e interessante.


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The Old Guard conta a história de Andy (Charlize Theron) e seus companheiros, que formam um grupo de soldados os quais possuem a inestimável virtude da vida eterna. Eles vivem através dos anos, oferecendo seus serviços como mercenários para aqueles que podem pagar. No entanto, tudo muda durante a última missão, com a descoberta de que existe uma nova imortal.



Diferentemente do que se imagina, o filme retrata a imortalidade mais como uma maldição do que uma bênção, e isso é bem percebido no roteiro. Por múltiplas vezes, a trama faz com que a história não seja apenas um tiro, porrada e bomba, e sim tenha algo que possa ser aprofundado no futuro.


Gina Prince-Bythewood ("A vida secreta das abelhas"e " Nos bastidores da fama"), a diretora do longa, soube como infundir uma convicção emocional com material tradicional. Assim, apesar de um roteiro previsível, ela mostra que o enredo ainda contém suas particularidades, como o relacionamento de mestre e aprendiz de Andy (Charlize Theron) e Nile (KiKi Layne), o amor incondicional de Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli), a dor e solidão de Booker (Matthias Schoenaerts), o sofrimento de Quynh (Van Veronica Ngo) e o fio de esperança distorcida de Copley (Chiwetel Ejiofor).



Os personagens são bem desenvolvidos e os atores têm uma atuação convincente de centenários solitários, ao ponto de querermos realmente nos aprofundar nas vidas passadas dos personagens. Fora isso, a história apresenta representatividade tanto em cor e gênero quanto em orientações sexuais, mostrando um elenco diversificado e elevando a história para um nível global, principalmente quando isso entra em conjunto com um ótimo trabalho de fotografia.



Apesar de tudo isso, de toda a reflexão sobre a peculiar metafísica da vida e da morte, esse ainda é um filme no qual os heróis acabam matando uma enorme quantidade de capangas anônimos - e, ao contrário deles, esses capangas permanecem mortos - o que leva a crer em algo muito difundido em filmes de ação: os vilões, e principalmente os capangas, são descartáveis, fazendo com que nesse caso pareça que a imortalidade e a frieza justifiquem a violência.



Outro ponto negativo é que, apesar das lutas incrivelmente bem coreografadas e de todos os atores se dedicarem muito às cenas de ação, ainda há certas falhas visuais as quais por muitas vezes poderiam ter melhorado o filme. São coisas mínimas e, inclusive, bem exploradas em algumas cenas, mas que ficaram de lado quando a ação era mais frenética.


Entretanto, certamente esse é um grupo muito agradável de assistir, e Charlize Theron prova mais uma vez o porquê de ser a melhor escolha para filmes de ação atualmente. Tratando-se de um filme bem particular para o gênero, The Old Guard mostra-se algo promissor para o futuro dentro da Netflix.



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