Crítica: The Good Place – Útima Temporada

Atualizado: Abr 12

A famosa série do Netflix chegou ao seu fim de modo orgânico e mantendo todo seu charme e loucuras de sempre.


São poucas as séries de comédia que ousam tanto como The Good Place, um sitcom cheio de reviravoltas na trama e que conseguia avançar de modo absurdo sua história, em apenas 22 minutos de episódio toda semana. Sua quarta e última temporada não só manteve esse ritmo, como ainda teve que propor questões filosóficas para refazer a vida após a morte, tarefa árdua para qualquer programa.


A terceira temporada da série havia terminado com o destino da humanidade nas mãos de Eleanor, Tahani, Michael e Janet, enquanto Chidi teve que ter sua memória apagada para que o projeto pudesse seguir em frente sem complicações. Eles teriam que provar que humanos podem melhorar no novo bairro criado por Michael, mas dessa vez os humanos escolhidos para serem testados não eram nada fáceis. Brent, Simone e Jonh não são personalidades fáceis para o grupo e muito menos de se assistir, fazendo com que os episódios iniciais dessa temporada fossem mais maçantes.


Com o retorno do bairro original e os papéis invertidos, pudemos ter muitos momentos interessantes vendo o grupo tentar criar situações para testar suas cobaias. Porém, por mais que esses momentos sejam nostálgicos e animadores, nosso interesse era esvaído assim que os personagens novos começavam a aparecer. Diferente do grupo original, o grupo novo não possuía química alguma. Não que isso fosse uma necessidade, mas eles simplesmente não eram nada atrativos e pareciam muito mais desnecessariamente entediantes que realmente úteis para a série.



Mas não se aborreça com esse início: o problema com os personagens é bastante amenizado conforme a história começa a ter reviravoltas no episódio 4, fazendo com que a temporada volte às suas loucuras, efeitos especiais, planos absurdos e questões filosóficas. A mudança, além de trazer a chacoalhada necessária para sentirmos a urgência da temporada final, também permite que todos os personagens ganhem momentos para refletirem sobre o quanto mudaram.


The Good Place sempre teve muitas questões filosóficas difíceis, mas nada mais difícil do que a proposta no final da série: “Como seria a vida após a morte ideal? ”. Apesar da pergunta parecer bem difícil, a série acha um jeito de criar uma versão que representa bem os valores que o programa sempre quis passar. A resposta pode não a agradar todos, mas o final de cada personagem com certeza deixará qualquer um que assistir com o coração mais quente enquanto reflete sobre a vida e a morte.



Por fim, o episódio final se dedica a prestigiar os personagens que assistimos ao longo desses 4 anos, e faz isso com bastante espaço para todos respirarem. Todos tiveram de alguma forma seus momentos finais para se despedir dos personagens, e fica até difícil escolher o momento favorito, de tanto que este fim faz você chorar. Em especial, os finais de Tahani e Jason foram os que menos esperava e que mais vibrei ao assistir: as ideias trabalhadas foram realmente condizentes com os personagens e demonstram bastante o quanto os dois mudaram.

A série conclui com cada pontinha solta finalizada e com pelo menos uma menção ou aparição de cada personagem visto ao longo dos anos, trazendo até aparições inesperados de personagens que não imaginava ver novamente.



Conclusão:


The Good Place termina a série com um episódio que é uma carta de amor para os fãs e para os personagens daquele universo. Apesar de um início um pouco difícil, a temporada rapidamente se arruma e entrega mais um ano de muitas cenas excelentes e bizarras que só eles conseguem criar.


Nota: 9/10

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