• Lucas Almeida

Crítica | The Boys in the Band : novo filme da Netflix aborda a temática LGBTQI+


Composto por atores abertamente gays os quais ainda fazem parte da peça da Broadway, espetáculo que inspirou o filme, The Boys in the Band traz as paixões, os desejos e os traumas de oito amigos que vivem a sua homossexualidade em meados da década de 60.


A peça da Broadway estreou em 1968 e foi escrita por Mart Crowley, que acabou falecendo no começo deste ano. A primeira adaptação para os cinemas ocorreu em 1970 pelo diretor William Friedkin e, apesar da época, foi bem recebida pela crítica.

Em 2018, Ryan Murphy traz um novo texto à história original, apresenta a ideia para a Netflix e, pelas mãos do diretor Joe Mantello, o longa sobre homens gays e feito por gays hoje está disponível na maior plataforma de streaming do mundo.


No filme

A cena de abertura funciona rapidamente para nos apresentar todos os personagens e nos presentear com os cenários da época. Isso se dá pelo fato da maior parte do longa ocorrer dentro de um único cenário: o apartamento do protagonista e anfitrião da festa.


Bem, a história é bastante simples e começa quando um grupo de amigos se reúne para comemorar o aniversário de um deles. Tudo acaba indo bem, até que um antigo colega de quarto do anfitrião aparece sem ao menos ter sido convidado.

O interessante é que a obra poderia muito bem ser adaptada para os dias atuais - visto que ainda hoje há preconceito e discriminação contra o grupo LGBT- contudo, a história permanece na década de 60.


Por mais que não ocorra nenhum tipo de agressão nas ruas, há alguns momentos nos quais a preferência por esconder a “sete-chaves” quem de fato eles são vem à tona, mesmo estando seguros dentro de casa.

Sem dúvida a imersão do espectador no filme decorre da junção de um excelente texto, ótimas atuações e uma direção impecável. E mesmo que a história tenha uma premissa simples (como dito anteriormente), o desenrolar é deslumbrante e digno de aplausos. A forma como uma simples comemoração de aniversário se transforma num “jogo” tenso de confissões e conflitos beira o brilhantismo.


Mantello, para que sua obra não pareça literalmente como uma peça de teatro filmada, utiliza pequenos flashbacks, os quais servem não só para sair daquele pequeno apartamento, mas também proporcionar uma profundidade ainda maior a cada personagem.


Em meio aos diálogos, cortes e belíssimos enquadramentos, a obra não perde a elegância e constrói gradativamente o desconforto em volta dos personagens. Desconforto esse que vai além do preconceito e raiva do antigo colega da faculdade, ao descobrir que seu amigo do passado é na verdade gay.

Logo, os debates existentes na trama nos mostram que por mais abertos e confortáveis eles estejam em ser quem são, às vezes pequenas lembranças acabam proporcionando sensações de aprisionamento, tristeza e arrependimento por não terem expressado os reais sentimentos que tinham naqueles antigos momentos.


No meio de tudo isso, temos um elenco que contribui ainda mais para o espetáculo do filme: Jim Parsons dá um show como o anfitrião Michel, Zachary Quinto é o aniversariante e excêntrico Harold, Matt Bomer encarna o amigável Donald, Andrew Rannells é o galã Larry e namorado do “comportado” Hank vivido por Tuc Watkins, Michael Benjamin Washington é Bernard e Robin de Jesús interpreta o carismático Emory.

Enfim, The Boys in the Band é uma obra que traz inúmeras reflexões sobre ser um homem gay na década de 60, mas que claramente poderia fazer sentido nos dias atuais. Esse filme obrigatoriamente precisa ser assistido por todos, pouco importando a sua orientação sexual. Além do mais, tendo uma forte campanha da Netflix, com toda certeza o longa poderá chegar às grandes premiações do próximo ano.


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