Crítica | Raised By Wolves (criado por lobos) de Ridley Scott


A nova série de drama e ficção científica de Ridley Scott chegou no HBO Max entregando uma produção de nível cinematográfico em alguns momentos. Ela nos instiga a conhecer mais daquele universo.


Mas até onde chegam as barreiras desse universo?
Atenção! Crítica referente aos 3 primeiros episódios e sem spoilers.

Raised by Wolves, ou "Criado por Lobos" em português, entrega um piloto digno das grandes obras de Ridley Scott nos cinemas. Já no começo da série somos bombardeados de ação, conspirações, muitas informações e transitamos entre possibilidades de exploração da trama e alguns furos de roteiro, os quais podem ser ignorados ou não, depende de como você julga esses aspectos da obra (e decide se passa pano ou não).


A HBO encomendou uma temporada de 10 episódios para a série. Um dos motivos de terem convencido Scott a participar pela primeira vez de uma produção para TV pode ter sido a escolha dos personagens centrais, androides conhecidos como Mãe (Amanda Collin) e Pai (Abubakar Salim), os quais possuem algumas semelhanças com os androides da franquia Alien de Scott.


A personagem de Amanda Collin com toda certeza é um dos pontos mais altos da produção. Ela realmente consegue passar a sensação de que não é uma humana, desde um simples gesto com as mãos à sua postura corporal. Mas não se engane... quando a personagem tem que se passar por um humano, Collin também entrega um ótimo trabalho. A série não se chama Criado por Lobos à toa: a Mãe que é protetora e afetuosa é a mesma que pode virar uma verdadeira máquina de extermínio em um piscar de olhos. Literalmente!


Mãe indo sacar o auxilio emergencial com as crianças na série


SOBRE A TRAMA


Os androides Mãe e Pai são encarregados de reiniciar a humanidade no planeta distante Kepler 22b, depois que a Terra é devastada pelos próprios humanos através de, adivinhem...

Isso mesmo, o de sempre: mudança climática, guerra e séries sendo injustiçadas no Emmy.


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Quando o primeiro episódio começa, Mãe e Pai chegam em Kepler com seis embriões humanos que a mãe então traz à vida, e juntos eles tentam criar os filhos como a nova esperança da humanidade. Na série é explicado que a guerra final na Terra ocorreu entre ateus e um grupo religioso conhecido como Mithraic, e os ateus enviaram os androides para Kepler para estabelecer uma nova sociedade baseada no ateísmo.


Mas os Mithraic não estão muito atrás, pelo menos em termos de viagem espacial... sua nave, à qual eles naturalmente se referem como a Arca, viaja mais devagar porque está cheia de humanos em estase criogênica, os quais não podem suportar as mesmas velocidades que androides.


Assim, mãe e pai têm 12 anos para criarem seus filhos antes da chegada dos Mithraic. Mas a vida em Kepler é sombria, e ao longo do primeiro episódio quase todas as seis crianças iniciais sucumbem a doenças ou acidentes, deixando apenas uma criança: o Campion (Winta McGrath), em homenagem ao homem que programou Mãe e Pai.

Quando os Mithraic chegam, com o militar Marcus (Vikings' Travis Fimmel) liderando a exploração, a verdadeira extensão das habilidades da Mãe é revelada. Ela é na verdade uma máquina de guerra conhecida como Necromante, e é aí que sua persona violenta desperta em defesa do que ela acredita (ou está programada para acreditar).



(Mãe ao saber que seu auxilio foi bloqueado)



Em seus dois primeiros episódios, Scott estabelece Kepler como um lugar misterioso e desolado com segredos próprios, incluindo criaturas estranhas que lentamente emergem, além de uma sensação de isolamento e perigo iminente.


Os mistérios perturbadores do planeta são muito mais intrigantes do que os confrontos básicos de campo de batalha, e o show é mais eficaz quando se concentra nas lutas dos personagens neste ambiente hostil em vez de olhar para os flashbacks para mostrar o caminho dos dois grupos até o momento presente na narrativa da série.


O conflito entre racionalidade e religião é apresentado com símbolos simplistas, os quais beiram o clichê que tal gatilho pode ter para gerar embates. Mas vamos aguardar mais episódios para entender melhor como esse conflito se montou.


Lembram da única criança que sobreviveu? Então... Campion tem uma importância enorme para o roteiro e suas decisões ditam o rumo da trama. Mas, afinal, ele vai confiar nos androides que o criaram ou nos outros humanos?


considerações


Ridley Scott, como sempre, é ótimo em arquitetar universos espaciais e tramas futuristas, mas Criado por Lobos é aquele tipo de série agridoce: ou você ama ou odeia. Não espere por uma produção com uma trama 100% Opera Espacial ou combates, às vezes a série pisa no acelerador e depois lembra que ainda tem mais episódios para completar a temporada.


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Assim sendo, é uma constante sensação de montanha-russa: alguns diálogos e momentos podem parecer monótonos e, ao mesmo tempo em que o trabalho com a ambientação do planeta foi estupendo, o plot do lado dos humanos é bem desinteressante. Mesmo tentando gerar conexão com o telespectador, é difícil você não torcer para os androides.


Afinal, quem iria contrariar uma mãe protegendo suas crianças?

Confira o trailer da série:



Raised by Wolves já teve uma segunda temporada confirmada e conta com Amanda Collin, Abubakar Salim, Winta McGrath, Niamh Algar, Jordan Loughran, Matias Varela, Felix Jamieson, Ethan Hazzard, Aasiya Shah, Ivy Wong e Travis Fimmel. Os três primeiros episódios estrearam em 3 de Setembro no HBO Max.


E você, já assistiu a série? Conta para gente nos comentários o que achou! Em breve postaremos os reviews dos demais episódios.

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