• Lucas Almeida

Crítica | "Os 7 de Chicago": a repugnante história do novo filme da Netflix


O novo longa presente no catálogo da Netflix inicialmente foi planejado para ser lançado apenas nos cinemas pela Paramount Pictures, mas por conta da pandemia do coronavírus, os direitos foram vendidos à gigante dos streamings. Contudo, em 25 de setembro, "Os 7 de Chicago" foi exibido em poucas salas de cinemas, justamente apostando nas possibilidades de concorrer às grandes premiações do próximo ano.



"Os 7 de Chicago" conta a história verídica de um grupo de ativistas que organizaram um protesto contra a Guerra do Vietnã durante a Convenção Nacional do Partido Democrata. O roteiro e a direção ficaram nas mãos de Aaron Sorkin, entretanto, é válido ressaltar que Sorkin desde 2007 já estava por dentro do roteiro do projeto, sendo que Steven Spielberg iria ficar por conta da direção.


Mas, após a greve dos Sindicatos de roteiristas de Hollywood, Spielberg abandonou o projeto e, depois de mais de 10 anos, Sorkin foi contratado para também dirigir o longa.


Bem, a história se passa no final da década de 60 nos EUA, quando sete rapazes foram acusados de conspiração por incitar a violência entre manifestantes, polícia e a Guarda Nacional. O protesto - que a princípio era para ser pacífico - se tornou um confronto extremamente violento, resultando-se num dos julgamentos mais famosos da história norte-americana.



Primeiramente temos que enfatizar a montagem extremamente competente do longa, que nas primeiras cenas nos coloca em meio ao julgamento, intercalando com momentos específicos de flashbacks dos protagonistas. Dessa forma, aos poucos vão sendo apresentados quem de fato eles são e todos os absurdos e injustiças que os levaram a estarem naquela terrível situação.


Outra decisão lindamente executada é a mescla das cenas reais com as imagens gravadas no filme. Pois, a montagem as coloca em momentos chaves da trama, que além de despertar ainda mais a atenção dos espectadores, acabam por mostrar a verdadeira violência que ocorreu naquela manifestação.



Como dito anteriormente, o roteiro de "Os 7 de Chicago" ficou por mais de 10 anos sendo trabalhado por Sorkin. Dessa forma, esse tempo contribuiu para que a apresentação dos personagens, suas motivações, os diálogos e a imersão que é construída ao longo dos seus 120 minutos beire a perfeição. Assim, há grandes possibilidades de que o filme concorra na categoria de melhor roteiro nas principais premiações do próximo ano.


Em relação a direção, é válido ressaltar que Aaron Sorkin ainda tem pouca experiência no cargo. Entretanto, o cineasta tem uma forte bagagem como roteirista, em filmes como: "A rede Social" (2010), "O homem que mudou o jogo" (2011) e "Steve Jobs" (2015). Sendo esse o seu segundo filme como diretor, Sorkin entrega algumas cenas com um cunho bastante realista e cruel, que por vezes nos pegamos definitivamente na pele dessas pessoas, ou seja, com sentimentos de impotência tanto quanto os personagens da história.


Mas, para que uma ótima montagem, texto e direção definitivamente funcione em um longa-metragem, é necessário que o projeto esteja repleto de excelentes atores, não é mesmo? Pois bem, Sorkin consegue reunir um elenco extremamente competente que usufrui desse texto sublime para encarnar e transmitir muito bem suas personalidades, posicionamentos e vivência nos debates existentes na história.



Ainda em relação ao elenco, vale ressaltar a atuação de Sacha Baron Cohen que interpreta o comediante de stand-up Abbie, Mark Rylance que dá vida ao advogado de defesa Willian e Yahya Abdul-Mateen II que nos proporciona vários momentos repugnantes de racismo que seu personagem Bobby Seale, o líder do Partido dos Panteras Negras, acaba vivendo.


Pois bem, "Os 7 de Chicago" aborda a injustiça, violência, política e o racismo de uma forma extremamente impactante e sublime nos quesitos técnicos. Tendo ótimas atuações e um desenvolvimento que aos poucos acaba por nos imergir completamente na história, Sorkin entrega um dos melhores filmes deste ano atípico para os cinemas que, sem dúvidas, estará nas grandes premiações de 2021.


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