• Lucas Almeida

Crítica | "O Diabo de Cada Dia" e seu elenco estelar

Atualizado: Set 28


Nesses últimos meses, sempre que ocorre uma estreia, seja de filme, série ou documentário na Netflix, ela é muito bem-vinda, não é mesmo? Ainda mais quando a produção foge do padrão de histórias que a plataforma vem lançando ultimamente.

Imagem promocional do filme

O Diabo de Cada Dia vem com uma história que percorre um caminho oposto do que recentemente foi lançado dentro da plataforma. Entretanto, desde o seu lançamento a produção se encontra no Top 10 dos mais assistidos, possivelmente por despertar também a curiosidade de se ver um elenco tão popular num só filme.

Com direção e roteiro de Antonio Campos, O Diabo de Cada Dia traz uma história densa, pesada e que busca discutir não só o fanatismo religioso, como também os acontecimentos trágicos do passado e a forma pela qual podem acompanhar as outras gerações. Além do mais, a história consegue estabelecer que a fé e o desejo de ser acompanhado por Deus pode vir a se tornar bem pior do que ser apenas uma pessoa religiosa.

Pois bem, o roteiro de Campos é baseado no romance de Donald Ray Pollock e a trama é ambientada numa época após a Segunda Guerra Mundial, até o início da Guerra do Vietnã. Tendo um grande número de personagens, a história se divide em linhas temporais que de alguma forma vão se conectar no futuro.

Personagem de Bill Skarsgård rezando com seu filho

A história se passa num lugar escondido de Ohio, e lá acompanhamos vários personagens. Willard Russell (Bill Skarsgård) é um atormentado veterano de guerra que fará de tudo para tentar salvar sua esposa de uma grave doença. Enquanto isso, o casal serial killer Carl (Jason Clarke) e Sandy (Riley Keough) percorre as ruas em busca de modelos adequados para ensaios fotográficos.


O pastor Preston Teagardin (Robert Pattinson), por sua vez, é um excêntrico, bizarro e escroto líder religioso. Já no centro de tudo isso está Arvin Russell (Tom Holland), que poderia muito bem ser um bom rapaz, mas pelos acontecimentos da vida acaba deixando um rastro de mortes por onde passa.

O roteiro é eficiente, pois a existência do laço familiar condiz com os caminhos, decisões e desfechos praticamente idênticos dos personagens. Essa ideia de que os acontecimentos do passado se repetirão no futuro é muito bem estabelecida.


Além de tudo, a construção e desenvolvimento dos personagens são muito bem executados, mesmo que alguns sejam pouco aprofundados. O que de fato devemos conhecer deles está em tela e, assim, faz-se coerente com toda a história.

Neta de Elvis Presley, Riley Keough, ao lado de Jason Clarke

Outro ponto forte do roteiro é quando ele abandona o debate sobre a guerra para focar unicamente na religião. Dessa forma, O Diabo de Cada Dia retrata muito bem que nós mesmos podemos ser o próprio diabo em nossas vidas.


No longa, a fé é utilizada não só para justificar as terríveis atitudes das pessoas, mas também para dar forças àquelas mal pensadas, que em instantes vão se transformar em sentimentos de puro arrependimento.

No meio de toda essa história, temos que ressaltar não só a bela escolha do elenco, mas, é claro, a ótima performance de todos eles. Damos um maior destaque a Tom Holland (Arvin), que se mostra um ator mais versátil, entregando uma atuação completamente diferente da que vimos nos últimos anos, sendo essa a melhor de sua carreira.


Eliza Scanlen (Lenora) transborda inocência e doçura nos mínimos detalhes da sua personagem; Riley Keough (Sandy) traz uma interpretação interessante e cheia de camadas à modelo fotográfica, e Robert Pattinson (Preston Teagardin) se baseia no sotaque do seu companheiro Willem Dafoe em o Farol para trazer uma atuação brilhante como o jovem e escroto pastor.

Robert Pattinson numa das melhores cenas do filme

Em relação à montagem do filme, acaba sendo bastante eficaz. Por mais que em seu começo possamos ter uma sensação de lentidão na história, a partir do segundo e terceiro ato o filme se torna mais dinâmico e rápido, despertando, assim, a curiosidade sobre qual será o fim dessa violenta trama.

A ambientação se torna extremamente importante, visto que como os cenários, os personagens são também completamente solitários e sombrios. Assim, o filme mostra apenas um vislumbre dos assassinatos, mas consegue com maestria passar a sensação de medo, estranhamento e desconforto em toda a fotografia do longa.

Portanto, O Diabo de Cada Dia é um belo filme, que aos poucos engata e nos prende principalmente pelas performances do seus atores, as quais beiram o brilhantismo. E para aqueles que estão com saudades ou desejam se distanciar das histórias leves da gigante Netflix, sem dúvida esse longa será uma ótima opção.

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