• Nathy marro

Crítica | Mulan


A icônica história de Mulan ganhou novamente as telas, só que dessa vez em uma versão live-action baseada na poesia A lenda de Mulan. Apesar de algumas polêmicas, esse vem se mostrando um dos melhores live-actions feitos pela empresa até hoje. A história já fazia parte dos clássicos da Disney com a animação de 1998.


Leia também:
Crítica | Novos Mutantes realmente é a bomba que a internet diz ser?
Crítica | Origens Secretas – Um filme dedicado ao universo dos quadrinhos


O seu roteiro é bem simples e, apesar de ter raízes na história já adaptada, ainda assim mostrou uma originalidade. É claro que uma das grandes polêmicas era a falta de alguns personagens icônicos, mas isso não tira o brilhantismo dos novos, ainda mais com um elenco muito bem selecionado. O elenco todo tem origens ou ascendência chinesa, trazendo uma veracidade necessária à história e mostrando uma preocupação na hora da escolha, que conta com nomes novos como a própria atriz que interpreta Mulan, Liu Yifei, e nomes já conhecidos como Donnie Yen, Jet Li e Tzi Ma.



Ainda falando da história, ela tem uma estrutura bem simples, falando de uma maneira bem fácil sobre família, honra, coragem e aceitação. Pode ser muito bem resumida com a frase que se tornou o slogan do filme: “Leal, Corajoso e Verdadeiro”. Uma das partes mais interessantes foi a introdução da personagem da bruxa Xian Lang, interpretada por Gon Li, pois ela faz uma contrapartida muito interessante com Mulan, mostrando que as duas procuram o mesmo objetivo - a aceitação - só que de formas diferentes.



Alguns elementos adicionados na narrativa visando dar um ar mais místico acabaram, na verdade, sendo um pouco desnecessários e até forçados. A aparência que fica é estarem lá apenas para mostrar que se as pessoas pediam mais coisas relacionados à cultura chinesa, ali estava. Um exemplo é o Chi, o qual segundo os chineses é a energia que circunda tudo e todos, e no filme foi usado com um “super-poder”, fazendo com que certas cenas fossem menos realistas.



Uma outra polêmica que se mostrou até um pouco justificável é a falta do dragão Mushu, o qual foi substituído por uma fênix que não deu muito certo. A verdade é que, como uma forma de ganhar o público chinês, eles tiraram o dragão por ter sido muito criticado na época da animação. Mas a troca pela fênix acabou não sendo a melhor opção: apesar da mensagem de perseverança ser bem representada pela criatura, ainda assim ela pareceu desfocada da narrativa.


Cenas emblemáticas foram reescritas de maneira que não perdessem o realismo e ainda trouxessem a sensação nostálgica para os fãs. Se muitos se preocupavam com a falta das músicas, fiquem tranquilos, elas estão lá em formatos instrumentais ou dentro da fala de personagens, prestando uma homenagem ao clássico de maneira bem sutil.



Em questão de produção o filme foi impecável, desde o figurino muito característico às cenas de ação muito bem coreografadas, com aqueles efeitos especiais encontrados em filmes de ação chineses. Mas uma coisa que foi literalmente à parte, sem nenhum erro, foi a fotografia do filme, a qual apresenta cenários magníficos e é um banquete visual. Desde as dunas do deserto até a cidade imperial, todo cenário foi completamente explorado.



Apesar das diferenças em relação ao filme original, a diretora Niki Caro soube muito bem explorar o material que tinha em mãos e conseguiu trazer um filme o qual balanceia os momentos nostálgicos com os originais, contando de uma maneira única a história de uma das mais aclamadas personagens da Disney. A história de Mulan é atemporal e inspira milhares de pessoas a serem leais, corajosas e verdadeiras.

Quer saber mais sobre o universo GEEK? Então siga o Otageek no Twitter, no Facebook e no Instagram.

O Otageek é um portal de jornalismo cultural independente que produz conteúdo sobre cultura pop com uma abordagem mais próxima do Jornalismo e distante dos clickbaits e fake news.

© 2020 - Otageek BR . All Rights Reserved.