• Lucas Almeida

Crítica | F is for Family – 4ª temporada

A 4ª e nova temporada de F is For Family chegou à Netflix na última Sexta-feira (12). A trama continua a partir dos acontecimentos finais da temporada passada, com Frank Murphy e toda a sua turma trazendo o humor ácido e irônico já consagrado na série. Todavia, desta vez ela traz novos personagens e dá mais ênfase em temas importantíssimos.



No início da temporada nos é apresentado o pai ausente de Frank, que durante toda a sua infância o tratou com um enorme desprezo e fez de sua vida um grande pesadelo. William, após mais de 30 anos longe do filho, reaparece completamente diferente: adorável, simpático e super paciente com seu filho e netos, fazendo com que Frank constantemente brigue com toda a sua família, pois ninguém acredita que Willian possa ter sido esse terrível pai no passado.


Com o retorno do pai, Frank está sempre relembrando os traumas que teve em virtude da relação com o Sr. Willian. Um dos pontos interessantíssimos dessa relação é que a forma com que Frank foi tratado na infância refletia diretamente em como seus filhos são tratados por ele hoje em dia. Ou seja, nas constantes brigas, desdém, xingamentos, entre tantos outros descasos direcionados a Kevin, Bill e Maureen.


Essa relação conflituosa também está presente entre o casal protagonista da série. Frank e Sue certamente se amam e isso é inegável! Porém, eles continuam se desentendendo e se esforçando para não brigarem o tempo todo. Tal situação trouxe à personagem da Sue uma abordagem interessantíssima para essa temporada. A série propôs discutir essa dependência e mudança na vida das mulheres por se casarem e possivelmente se tornarem mães. Sue é definitivamente afetada pelas suas escolhas nesse ponto e, por mais que busque independência, a decisão de ser mãe e de construir uma família a impede de conseguir algo novo para a sua vida. Por fim, esse acaba sendo o único reflexo da mãe para a família, demonstrando como as mulheres são vistas pela sociedade.


Já em relação aos filhos, Kevin dessa vez busca se tornar um rapaz mais doce e preocupado com seu futuro, Bill encontra sua bravura quando entra para o time de hóquei e Maureem continua meiga, mas com alguns relances de maldade. Essa temporada também proporcionou uma profundidade maior para Vic, que está constantemente intrigado e incomodado por ter chegado a seus 30 anos, buscando de todo modo se conectar novamente com a música para voltar a ter algum propósito em sua vida.



Um outro ponto muito importante foi a série dar ênfase nas causas raciais e em seus personagens negros. Com inúmeras piadas feitas a partir de atitudes racistas e dos privilégios brancos, essa temporada acabou por se tornar ainda mais atual do que poderia ser. Além do mais, ela dedica o episódio 7 especificamente a Rosie, como se de fato a série fosse protagonizada por ele e toda sua vivência. Isso é feito especificamente para tratar das questões de um homem negro que é eleito vereador. Dessa forma, esse episódio acerta absolutamente em todas as piadas, se tornando um dos pontos mais fortes desse ano da série.


Sendo assim, F is for Family ainda entrega as constantes piadas que estão presentes desde o começo, mas agora com ainda mais força. Sabendo o seu intuito de tocar em temas e mostrar a realidade em meio a piadas que se encaixam no “politicamente incorreto”, ela acaba por fazer isso muito bem nesse seu novo ano.




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