• Lucas Almeida

Crítica | "Enola Holmes" e a performance encantadora da estrela da Netflix

Atualizado: Set 28


O filme baseado na história da irmã mais nova de Sherlock Holmes agrada com a sua proposta mais divertida e juvenil, principalmente pelo desempenho e carisma da atriz Millie Bobby Brown.


Enola treinando arco e flecha

Quando a Netflix anunciou um projeto que focaria nos passos da irmã mais nova do grande detetive das histórias escritas por Arthur Conan Doyle, muito foi questionado, até porque a jovem Enola nunca existiu nas histórias originais do icônico Sherlock Holmes.


A saga Enola Holmes foi escrita por Nancy Springer, sendo lançado seis livros. A história base para o filme original Netflix foi a obra Enola Holmes: O Caso do Marquês Desaparecido, lançada em 2006.


Pois bem, Enola Holmes deixa de lado Sherlock e Mycroft Holmes para focar unicamente na jovem de 16 anos, Enola. A trama se inicia quando a garota acorda e percebe que sua mãe Eudoria Holmes desapareceu. A partir daí, ela busca de todos os modos ir contra os planos do seu irmão mais velho e controlador Mycroft, para iniciar a sua própria aventura como detetive e descobrir o que de fato aconteceu com sua mãe.


Logo nas primeiras cenas, já entendemos a proposta do longa de trazer uma história mais leve e divertida. Fato é que a escolha de Millie Bobby Brown - um dos rostos mais conhecidos da Netflix - foi o principal acerto do projeto. A atriz mostra a sua versatilidade ao encarnar uma personagem totalmente diferente da Eleven, antigo papel que desempenhou na série Stranger Things.



A quebra da quarta parede contribui ainda mais para o carisma da atriz, seja nas tiradas de humor ou para contextualizar a história que está sendo contatada. Vale ressaltar que o diretor do longa, Harry Bradbeer, comandou muito bem a interação da protagonista com os espectadores. Não ficou cansativo nem mesmo atrapalhou o andamento narrativo do longa. Bradbeer também fez parte da série Fleabag, que soube utilizar esse artifício cinematográfico como ninguém.


Sherlock Holmes é vivido por ninguém menos que o nosso Superman, Henry Cavill. O ator, como a protagonista Millie Bobby Brown, também já realizou outro projeto da plataforma, interpretando Geralt na série The Witcher.


Cavill trouxe uma interpretação segura e coerente nessa proposta mais humana e carinhosa - se assim podemos dizer - de Sherlock. É claro que considerando os antigos nomes os quais interpretaram o personagem, como Robert Downey Jr, Benedict Cumberbatch e Ian McKellen, e tendo em vista que o personagem foi pouco aproveitado nesse projeto, acaba não sendo uma tarefa muito fácil dar um destaque maior à sua interpretação.


Sherlock, Mycroft e Enola conversando

Sam Claflin vem com uma performance mais forte e imponente vivendo o “maligno” Mycroft. É bom dizer que o irmão mais velho de Enola acaba sendo considerado um dos antagonistas da história, visto que Mycroft a todo custo busca enviar a jovem a um internato feminino para que ela aprenda todas as regras de etiqueta e se transforme numa dama da época.


Falando nisso, o roteiro de Jack Thorne acerta em cheio na proposta de discutir a visão machista de Mycroft, mesmo numa história mais leve como a desse longa. O papel de Helena Bonham Carter também contribui muito bem para essa discussão pois, além dela ser a mãe da garota, Eudoria é uma das maiores figuras femininas do filme. Ela influencia, assim, todos os passos percorridos por Enola.


Enola treinando com sua mãe Eudoria

O longa ainda acrescenta Marquês Tewksbury, vivido por Louis Partridge. Além do personagem num primeiro momento atrapalhar os planos de Enola, o jovem acaba contribuindo para que a garota realize seu primeiro trabalho como detetive e ainda encare as consequências de se apaixonar pela primeira vez.


No projeto ainda há outros pontos positivos, como a ambientação dos cenários e os figurinos. O interessante é que as roupas conversam diretamente com a proposta do filme, pois elas são extremamente desconfortáveis para as mulheres e Enola é duramente criticada por Mycroft pela forma que se veste.


Enfim, a trama funciona ao trazer a clássica jornada do herói para a protagonista. Com um aspecto bastante encantador, gostoso e divertido, acabamos não sentindo as duas horas de duração, principalmente pela interpretação e desempenho da estrela da Netflix, Millie Bobby Brown.


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