• Lucas Almeida

Crítica | 'Convenção das Bruxas': Anne Hathaway estrela produção exclusiva da HBO Max


Depois de 30 anos, as bruxas mais assustadoras da nossa Sessão da Tarde retornam em uma releitura com distribuição exclusiva da HBO Max. Entretanto, no Brasil, Convenção das Bruxas está previsto para chegar diretamente aos cinemas no dia 19 de novembro.



No ano de 1990, a primeira adaptação do livro de Roald Dahl chegava para amedrontar todas as crianças que ficavam grudadas na TV nas tardes da Rede Globo. Convenção das Bruxas até hoje é considerado um clássico televisivo, pois mesmo que o projeto tenha sido direcionado ao público infantil, a produção conseguiu não só divertir os telespectadores da época mas também apavorar em nível “hard” toda e qualquer criança.

O remake acompanha um jovem garoto que se depara com uma conferência de bruxas enquanto está hospedado em um hotel com a sua avó. Nisso, ele descobre o maligno plano que elas buscam realizar: transformar todas as crianças do mundo em ratos.


Bem, nessa nova adaptação o escolhido para comandar o projeto foi ninguém menos que Robert Zemesckis, diretor responsável pela trilogia de De volta para o Futuro, Forrest Gump, Náufrago, entre tantos outros grandes filmes. No entanto, aqui não é possível ver nada que se assemelha à filmografia de Zemesckis. Claramente esse é um daqueles projetos que poderiam ter sido feitos por qualquer outro cineasta.

Tendo uma direção sem personalidade, o elenco estelar que compõe o filme não entrega nada menos que o mais genérico e monótono possível. Anne Hathaway que dá vida a vilã e líder do grupo das bruxas vem com uma atuação caricata, que realmente não amedronta em nenhum momento sequer. Pelo contrário, a personagem acaba sendo engraçada e tosca em várias situações.

Agora, mais automática que Octavia Spencer é impossível! A personalidade engraçada, faladeira e protetora que ela recorrentemente traz em seus personagens até funciona em certos momentos. Contudo, não vemos algo novo ou alguma cena que a diferencie de seus outros trabalhos.


Em relação à história, ela acaba tomando alguns rumos que se diferem da obra original. Primeiramente, aqui a ambientação ocorre no estado do Alabama, nos Estados Unidos. Uma outra diferença muito significativa está na etnia dos personagens: Jahzir Bruno dá vida a uma criança negra que mora com a sua querida avó, interpretada por Octavia Spencer.

Toda a construção do universo em torno daqueles personagens é realizada de um jeito até interessante. A narração trazida por Chris Rock é envolvente e até conseguimos ter uma certa empatia com aqueles personagens. Entretanto, quando ocorre a aparição da Anne Hathaway, o filme desanda completamente.

Se pararmos para analisar a ideia por trás da realização desse projeto, sem dúvida foi motivada pela possibilidade de utilizar efeitos digitais, principalmente na transformação das bruxas. Entretanto, toda a metamorfose que ocorre naquela espécie de auditório é executada de um jeito péssimo e extremamente constrangedor. A cena não assusta, não impacta, apenas demonstra o quão falho foi todo o processo de utilização dos efeitos especiais.


Outro ponto que desagrada bastante são os animais criados de forma digital. Sejam os ratinhos - por mais fofos que estejam - ou até mesmo um simples gato, todos extremamente falsos, fazendo com que em vários momentos Spencer aparente estar perdida quando precisa interagir com todos eles. O que nos deixa ainda mais tristes em relação ao projeto é saber que Guillermo Del Toro - um dos nomes mais importantes em utilização de maquiagens nos cinemas - estava por dentro da produção do longa.

Pois bem, Convenção das Bruxas acaba sendo um filme que no início até nos desperta uma certa curiosidade, mas que aos poucos vai nos perdendo totalmente, pelo simples motivo de ter uma história que não diverte, não empolga e infelizmente não proporciona nenhuma sensação de medo.


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