• Lucas Almeida

Crítica | Code 8: Renegados



A produção que ganhou vida através de um financiamento coletivo. “Code 8: Renegados”, um filme de Stephen e Robbie Amell, foi lançado inicialmente como um curta-metragem de ficção científica com produção independente, em 2016. Todavia, acabou agradando boa parte do público e dando início a uma forte campanha de colaboração financeira para a realização de um longa que iria ampliar ainda mais a história.


O desejo da dupla era de arrecadar cerca de US$ 200 mil dólares, mas a arrecadação fechou em US$ 2,5 milhões, ou seja, 12 vezes mais que o valor pretendido. Com o financiamento garantido, o diretor Jeff Chan e o roteirista Chris Par retornaram ao projeto e iniciaram a produção do longa-metragem em 2017. O filme dos primos Stephen e Robbie Amell chamou a atenção da Netflix, que ficou por conta de disponibilizar o longa.


A história se baseia em uma mínima parcela da população que nasce com super poderes, mas que é impedida de usá-los. Conner Reed (Robbie Amell) acaba na pobreza por não ter oportunidade de emprego devido ao desprezo existente na sociedade. Entretanto, quando se junta a Garrett (Stephen Amell), ele percebe um meio de ganhar uma certa quantia de dinheiro e a chance de ajudar sua mãe.



Com uma abordagem bem próxima do filme “Poder Sem Limites” e da franquia “X-Men”, a trama aos poucos vai nos envolvendo com o caminho percorrido e principalmente com as reviravoltas existentes no roteiro, além de conseguir o feito de nos proporcionar empatia pelos personagens e de nos prender à história.


Outro fator relevante no filme é a íntegra nas performances de Robbie e Stephen Amell, já que ambos se encontram empenhados em trazer o melhor de suas interpretações. Robbie consegue transmitir, em algumas cenas dramáticas, momentos interessantes do personagem. Já Stephen buscou a todo modo se distanciar do famoso Oliver Queen da série “Arrow”. Por mais que em alguns aspectos Garret se assemelhe ao personagem da DC Comics, com o tempo você embarca em suas atitudes e acaba se esquecendo dessas pequenas semelhanças.



Outro ponto forte do roteiro é nos proporcionar empatia por personagens que pouco são explorados na história. Pois bem, o roteiro de Paré junto à direção de Chan conseguem, em momentos engraçados e interessantes, fazer com que nos preocupemos com o que possa acontecer aos personagens secundários do longa.




Por mais que a campanha tenha arrecadado um valor muito superior ao pretendido pela dupla, quando se embarca em um filme de ficção científica e pessoas com poderes “especiais”, a preocupação a respeito da eficácia dos efeitos visuais precisa ser muito grande. Assim sendo, o filme entrega efeitos condizentes com a proposta: por mais que acabe não sendo algo extraordinário ao nível das produções da DC Comics e do Marvel Studios, as cenas são bem executadas e coerentes com os acontecimentos da trama.


Dito isso, o filme apresenta personagens interessantes, boas cenas de ação e um lado que poucas obras do gênero costumam explorar. Por isso, acaba sendo interessante uma possível sequência do longa para continuar nos desafogando dessa fórmula recorrente que há anos temos no cinema. Ou seja, essa representação grandiosa do mundo com pessoas super-poderosas.


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