Pandemia de COVID19 | 11 obras sobre contágio para consumir durante a quarentena

Atualizado: Out 7


O ano de 2020 desponta e a nova década nasce doente, com um vírus que impede as pessoas de se tocarem ou ao menos as obriga a se manterem afastadas e em quarentena. Além de ter uma letalidade considerável, o vírus é o agente patogênico mais contagioso da história!

Junto com a doença, surgem diversas teorias conspiratórias sobre sua origem, algumas variando de acordo com o viés político do interlocutor, seu nível educacional ou de credulidade, e até mesmo sua sanidade. Toda a humanidade é obrigada a sair de casa o mínimo possível e - obrigatoriamente - de máscaras.



Parece enredo de um filme, série, HQ, game ou animação, mas é o que estamos vivendo. Embora Dionísio esteja ralando para um retorno hedonístico aos poucos, os irmãos Omulu e Obaluaiê não parecem querer dar trégua à humanidade tão cedo. Entre opiniões divergentes de governantes sobre o fim ou não da quarentena, além de uma segunda onda, ninguém sabe quanto tempo conviveremos com o vírus.

Se você ainda está de quarentena, voltou a trabalhar ou está se aventurando pelas praias enquanto dá de ombros para a pandemia, aqui vai uma seleção de filmes, séries, jogos e afins para você se deleitar com a desgraça em que estamos vivendo - de camarote! Nada como uma tela e um balde de pipocas pra se esparramar enquanto assiste o mundo acabar! E olha que pipoca é oferenda pra Omulu!


1) 12 Macacos (1995)



História de viagem no tempo é sempre legal! E aqui temos Bruce Willis em um thrillerzaço sobre um vírus que dizima quase toda a humanidade em 1996. Além disso, Brad Pitt já dava sinais de que queria se tornar um bom ator e emergir do mero estereótipo de galã, portanto está impagável como o louco Jeffrey Goines, o qual que serviu de embrião para a personagem Rebecca Morgan (Emily Hampshire) da série homônima.


Bruce, ou melhor, James Cole passa o filme inteiro sendo convencido pela doutora Kathryn Railly (Madeleine Stowe) de que sua história de viagem no tempo é invenção da sua cabeça, dramatizando perfeitamente o Complexo de Cassandra (no qual um interlocutor tem sua fala desacreditada) explicado na palestra da analista. Mas quando ela percebe que James está falando a verdade quando nem ele mesmo acredita mais… bom, chega de spoilers. Vá assistir o filme e a série.


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2) Visões de 2020 (1997)


Assim que surgiu a pandemia e pouco antes do lockdown, internautas faziam postagens sobre filmes como Bladerunner e outras obras que tentaram retratar um 2020 distópico. Porém, ninguém parece ter lembrado de Visões de 2020, no qual Jamie Delano (o primeiro roteirista das aventuras solo de Constantine em Hellblazer) foi profético.



Em Visões de 2020: Tesão de Viver, Manhattan é privatizada e a Muralha separa os creditados dos descreditados, que vagueiam pelos escombros do que um dia foi a cidade expostos a doenças e usando qualquer coisa como moeda corrente. Do lado pobre da muralha está Alex Woycheck, um ex-editor de revistas pornô que acaba infectado com um vírus o qual deixa a libido à flor da pele até o panssexualismo. O título da história é homônimo de uma música de Iggy Pop.


3) A Cor que Caiu do Céu (2019)



O filme foi baseado em um dos famosos contos do controverso e pitoresco escritor H.P. Lovecraft, A Cor que Caiu do Céu, que chegou a ser um episódio de Amazing Stories e já foi readaptado para diversos filmes, além de servir de eminência parda para O Enigma do Outro Mundo. Ele também contém elementos de Nas Montanhas da Loucura, além de ser um remake de The Thing from Another World. O filme e romance homônimos Aniquilação e a HQ Batman: Sina Macabra também possuem elementos de A Cor que Caiu do Céu.


Dentre suas adaptações encontramos Die, Monster, Die (1965) estrelado por Boris Karloff (o primeiro Monstro de Frankenstein do cinema), A Maldição, Raízes do Terror (1987), Color from the Dark (2008) (e sua versão italiana de 2012), Die Farbe (2010), do diretor e roteirista vietnamita Huan Vu e o último, estrelado por Nicholas Cage (2019).


A história? Sabe a letra de Nariz de Doze do Raimundos? “Cumpádi, caiu lá do outro lado do rio, minhas vaca entraro tudo no cio (...) A água do poço tá salobra e os peixe agora fala...” Pois é. A Cor que Caiu do Céu é mais ou menos isso. Uma cor de tonalidade completamente desconhecida “cai” num sítio de uma cidadezinha do interior e tem o poder de conspurcar o corpo e a mente de qualquer ser vivo, seja planta, animal ou pessoa, e até elementos como a água. Como uma cor pode cair? Coisas de Lovecraft, que por sinal virou parceiro do Tesla em uma HQ, mas isso é assunto pra outro artigo.


4) A Colônia (2013)



Num futuro sabe-se lá quão distante, uma nova era glacial cobre o planeta de gelo e neve. Para piorar, uma estranha gripe assola os últimos habitantes da Terra e obriga os enfermos a ficarem em quarentena.


Os que não melhoram tem que optar entre o ostracismo ou a execução sumária com um tiro na testa. Os poucos sobreviventes se agrupam em colônias, que mantém os resquícios de ciência da antiga civilização. A colônia de nossos amigos protagonistas guarda grãos e então firma contato com uma outra colônia que conseguiu reverter o clima e recuperar uma área considerável de verde para plantio. Isso formou o Caju!


No caminho para a terra prometida, o pequeno destacamento esbarra em uma terceira colônia que parece estar vazia, salvo por um habitante. Ao perguntarem sobre o barulho que os atraiu até ali, ele diz não ter sido o responsável, mas sim eles… ELES?! E quem são eles? Assista e descubra...


5) A Gripe (2013)



Filmes coreanos costumam ser tão bons e pitorescos quanto os canadenses. É como se o Canadá tivesse moderado a hollywoodização e a Coreia tivesse achado um meio termo entre a estética oriental e a decupagem ocidental. Ambos os cinemas trabalham o NRI (Narrativo, Representativo, Industrial) com bastante espaço para o fantástico, mas sem se valer tanto das cenas gatilho e clichês, ou ao menos utilizando-as de forma original.


Um container repleto de pessoas mortas é encontrado no distrito de Bundang, na Coreia do Sul, e o vírus H5N1 rapidamente se espalha através de espirros e perdigotos. Durante o cabo de guerra entre os profissionais do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia do Sul (KCDC) e os políticos, o vírus capaz de matar em 36 horas então se espalha por Seul, obrigando as autoridades incompetentes a conter a população em centros de quarentena.


Tomara que Wolfgang Petersen tenha assistido A Gripe pra aprender como se faz um filme de epidemia. Dustin Hoffman não precisava ter pagado aquele mico...


6) Bite (2015)



A ideia de recolher-se no casulo da depressão também está presente em Thanatomorphose (2012) e, assim como A Mosca (1986), Bite também dramatiza A Metamorfose, de Kafka, de forma exagerada e cartunesca. Mas é a atmosfera de vingança no melhor estilo “te levo pro inferno comigo, seu traidor!” que sustenta a trama. Não faça como eu e assista Bite sem recorrer à pirataria. Aquele arqui-demônio que é o Senhor das Moscas não poderia ter escolhido avatar melhor.


7) Plague Inc (2012)



Jogos de simulação como a série SimCity, SimAnt, Populous e afins sempre fizeram a minha cabeça. Se eles fossem em 2D sem nenhuma evolução gráfica e toda a sua adrenalina viesse exclusivamente dos algoritmos pipocando no processador… quem sabe? E eis que surge Plague Inc. Um jogo de simulação no qual, assim como em Populous, você é “Deus” e lança as doenças no mundo.


Desenvolvido pela Ndemic Creations (sugestivo nome, não?), em Plague Inc o jogador tem que infectar e matar o mundo todo com um agente infeccioso diferente a cada fase. E embora todas sejam idênticas, com exceção das habilidades dos agentes patogênicos, a estratégia necessária para cada fase varia e o jogo não é tão fácil enquanto você ainda não detém todos os achievements.


A versão Evolved e as expansões subsequentes foram criando fases diferentes com pragas fictícias. O Neurax Worm (um parasita que se aloja na cabeça), o Necroa Virus (que transforma as pessoas em zumbis), a Shadow Plague (praga vampírica) e até a Gripe Símia (da nova trilogia de Planeta dos Macacos) foram anexados ao cenário original. O jogo foi proibido na China desde o início da pandemia.


8) Monstro do Pântano Especial #1 (1999)



Um fungo solta seus esporos por Gotham City e os infectados se veem compelidos a elevarem-se o mais alto possível, a ponto de escalar os prédios.


Batman se contamina e, em sua luta contra a doença, vai pedir penico ao Monstro do Pântano, que tira uma onda com o Cavaleiro das Trevas. Curiosamente, o Homem Morcego se torna um hospedeiro fácil por ter uma saúde perfeita e carecer de anticorpos.


9) Prototype (2008)



Em 2008, a Activision lançou o game Spider-Man: Web of Shadows, no qual o jogador controla o Homem-Aranha em poder do uniforme negro, podendo mudar em qualquer momento do jogo. Sinceramente, acho que a Activision queria fazer o game do Carnage e lançou Prototype.


Alex Mercer (e mais tarde James Heller em Prototype 2) é o único que tem poder sobre o vírus Blacklight, que infecta Manhattan e transforma os infectados em monstruosidades geneticamente alteradas. Ambos os protagonistas podem fagocitar os inimigos ou qualquer pessoa no jogo para receber energia, experiência, memórias e a possibilidade de se tornar aquela pessoa. Além disso, também são capazes de produzir lâminas e outras armas brancas com o corpo, tal qual o simbionte “filho” de Venom nas HQs.


10) Lifeform (Hulk Anual)



Georgie Prufrock, cientista e agente da I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas), vai afanar um vírus de um laboratório de biotecnologia de Nova York e acaba se contaminando. Após isso ele tromba com o Justiceiro que, durante um mata-leão, narra em pensamento: “Seu pescoço parece um tronco de carvalho…”, o que já demonstra a transformação de Prufrock.


Ao longo do arco de quatro edições (lançado no Brasil como um almanaque único em Hulk Anual), o personagem "evolui" até se tornar algo como o extremo da Disciplina Vicissitude, do clã Tzimisce, de Vampiro: A Máscara. Influência do tito Lovecraft novamente. Vemos os monstros amorfos presentes em A Cor que Caiu do Céu, O Enigma do Outro Mundo, Deadspace, Maze Runner e tantos outros.


11) A Praga (2006)



Sempre houve na arte uma forma de criar uma obra com o intuito de desafiar ou alfinetar o outro artista, ao mesmo tempo colega e rival de ofício. Tivemos, por exemplo, o embate entre Proudhon e Marx com A Filosofia da Miséria, do primeiro, e A Miséria da Filosofia como resposta do segundo; podemos também citar a rusga entre Salvador Dali e André Breton (a ponto do segundo fazer um abaixo-assinado para a sua expulsão do movimento surrealista) e, atualmente, a famosa diss do hip-hop. Não sei se foi esse o caso, mas parece que Clive Barker (que assina a produção) resolveu criar o seu próprio Colheita Maldita.


Todas as crianças do mundo entram em coma profundo, incluindo as que já nascem em tal estado. Os governos do mundo tomam suas devidas providências, como matar os recém-nascidos ou proibir a gravidez, mas ninguém sabe explicar o motivo.


Não há agente infeccioso e as crianças se desenvolvem normalmente, sem atrofias, mesmo não se exercitando e sendo alimentadas por seus pais ou em leitos hospitalares. Todos os ginásios esportivos de colégios e universidades se tornaram “berçários” de adolescentes em coma. Sim, adolescentes, porque já se passaram dez anos e… bem, assista!


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