• Wando Moreira Don Wandolero

Como a série "Todo mundo odeia o Chris" retrata o racismo nos Estados Unidos


A série humorística Todo Mundo Odeia o Chris, que conta de uma maneira bem-humorada e fantasiosa a vida do ator Chris Rock juntamente com a sua família, conquistou inúmeros fãs brasileiros desde que começou a ser transmitida pela Record. Esse sucesso se deu principalmente graças aos vários momentos de apuros e confusões que o personagem interpretado por Tyler James Willians passou em Bed-Stuy, Nova York.


Mas apesar das partes engraçadas que tanto o Chris como outros personagens tiveram ao longo das 4 temporadas, a sitcom traz, mesmo que de maneira cômica, as diversas formas de racismo que a comunidade negra sofre tanto nos Estados Unidos, onde é ambientada a série, como em outras partes do mundo.



Um dos exemplos mais claros está no racismo escancarado que o próprio personagem Chris sofre na sua vida, seja na forma de bullying e apelidos que são deferidos por Joey Caruso (Travis T. Flory), o valentão algoz do Chris no período da escola, ou nas ofensas e atitudes de desprezo demonstrados pelo professor Roy Truman (Paul Ben-Victor), que resolveu escolher o garoto como alvo pelo fato do mesmo ser negro.


Mas as piores formas de racismo, mostradas com frequência na série, são as institucionais (praticadas por instituições, sejam elas órgãos públicos governamentais, corporações empresariais privadas ou universidades, nas quais existe um sistema de desigualdade que se baseia em raça) e as veladas (o típico indivíduo que pratica atitudes e promove estereótipos racistas, apesar de não se considerar como preconceituoso).


O caso de racismo velado é bem nítido quando vemos as atitudes da Srta. Morello (Jacqueline Mazarella), a professora e posteriormente a diretora do Chris. Em diversos momentos ela reforça estereótipos racistas através de suas falas diante do Chris ou de outros personagens negros que ela conhece. Dentro da sitcom, ela é quem exemplifica o tipo de pessoa que sempre diz "não sou racista, mas…", contudo o seu comportamento mostra o contrário.


Já quando se fala de racismo institucional, a série mostra como os aparatos do sistema, como a polícia e outros órgãos de segurança, escolas, comércios... praticam discriminação e preconceitos com a comunidade negra, seja por meio de descaso e violência, seja por alimentar estereótipos.


Em todos esses aspectos mencionados, a série Todo Mundo Odeia o Chris usa de humor para retratar as diversas formas de racismo que a comunidade negra sofre nos Estados Unidos. Além disso, mostra como o próprio comediante Chris Rock, que é o personagem central da série, conseguiu lutar contra essa prática, seja durante a sua infância e adolescência, quanto na época em que se consolidou no mundo artístico. A série demonstra que o ator usa do humor como principal arma para superar o racismo, uma prática sórdida que ainda faz vítimas não só nos Estados Unidos, como em diversas partes do mundo.



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