• Lucas Almeida

As escolhas de Christopher Nolan para o seu Cavaleiro das Trevas

Atualizado: Abr 19


Um diretor de uma visão muito particular na criação da história de um dos maiores super heróis dos quadrinhos de todos os tempos, revolucionou não só o personagem, mas sim o gênero nos cinemas. Ao trazer de volta o “Batman”, em 2005, Christopher Nolan ao lado de Christian Bale, abandonaram a cidade colorida e um Batman mais cômico, para iniciar uma trilogia de sucesso, apostando na forma mais realista do morcego de Gotham, em "Batman Begins".


Nolan, acreditando nas suas ideias sobre o personagem e Gotham, colocou elementos para deixar plausível todos os atos dos filmes e buscou explicá-lo da forma mais simples e real possível. Com a ajuda de um elenco estupendo nas 3 obras, vamos entender o motivo do universo de Nolan ser tão reconhecido.


Batman Begins

Bem, a história se inicia conforme a transformação de Bruce também. O filme nos traz a importância dos Wayne a Gotham, a caída de Bruce junto ao ataque dos morcegos, os personagens importantes a ele, e é claro a morte de seus pais. Tudo isso, fez com que as escolhas de Bruce sejam plausíveis dentro da história. O ir para longe de Gotham, em buscar treinamento e entender a mente dos criminosos em meio a toda vingança que nele se encontrava, deu ao jovem Bruce a chance de conhecer um membro da misteriosa “Liga das Sombras” e aprender todas as técnicas de lutas que mais tarde ele usaria para combatê-los em Gotham.


Esse membro que até então não se denominava assim, era Ra's al Ghul (Liam Neeson)! O líder do grupo ensinou tudo que poderia a Bruce, com o intuito de usar todo ódio e desejo de vingança dele e voltar a Gotham para concretizar seu desejo de destruí-la. Porém, ao saber disso, Bruce se coloca contra a “Liga das Sombras”, derrotando-os e ao fazer o seu caminho de volta a Gotham City, se depara com uma cidade completamente dominada pelo crime organizado e começa sua preparação e escolhas para a criação do Batman.


Nas escolhas cruciais de Nolan, está o elenco! O mentor de Bruce, o policial aliado e até mesmo os vilões, era necessário ser atores que entregariam atuações fortes e precisas em cada cena e no decorrer de cada texto. Pois bem, Michael Caine transborda verdade em cada palavra dita, ao interpretar o Mordomo Alfred Pennyworth. Caine da segurança ao personagem, essa segurança que Bruce precisaria em cada escolha que faria. Assim, Alfred começa empolgado com esses caminhos, ajudando e mostrando a força existente em Bruce e em seu legado.


O mesmo não poderia ser diferente de Jim Gordon. Interpretado por Gary Oldman, o ator esbanja bondade e justiça nos atos e escolhas de Gordon. Oldman abraça o personagem de uma forma muito precisa, dando-o um ar de “pai” para o Bruce quando criança, e sendo de suma importância para o decorrer da história e vitórias do Batman.


Por fim, temos Cillian Murphy! O ator que deu vida ao “Espantalho”, é de uma loucura absurda. O seu modo de falar, seus olhos arregalados e o jeito sínico quando necessário é incrivelmente realizado por Murphy. O personagem introduz algo a esse universo e ao Batman, a loucura que Gotham precisava. Ou seja, sem se importar com as consequências de seus atos, totalmente ao oposto do Homem morcego.


Com o Batman estabelecido na cidade seria necessário algo ou alguém que daria o ar da dúvida ao personagem. Assim, interpretada no primeiro filme por Katy Holmes, Rachel Dawes o interesse amoroso de Bruce, ganha ainda mais importância no segundo filme, pois a partir dela o bilionário e príncipe de Gotham se colocaria em dúvida consigo mesmo, em ser o Batman ou a chance de ter Rachel por perto.


Pois bem, o filme estabelece tudo isso, Gotham, máfia, vilões e heróis. Com um elenco de peso e uma história introdutória descente. “Batman Begins” concretizou a visão particular de Nolan, dando a ele e a Warner Bros a vontade de realizar uma sequência do longa. Agora com a obrigação de ser ainda melhor, Christopher Nolan opta em trazer o “Coringa” e Heath Ledger para ser seu intérprete, dando a ele o papel de sua vida e para muitos um dos melhores filmes não só dos quadrinhos, mas de todos os tempos.


Batman: O Cavaleiro das trevas

Agora, Christopher Nolan mudaria de vez a história do Batman nos cinemas. Com a escolha certeira de Heath Ledger para interpretar o “Coringa”. Ambos colocaram em sintonia a suas visões sobre o personagem, e criaram um embate entre herói e vilão que dificilmente veremos de novo nas telonas.


Os vilões


Podemos repetir constantemente a magnitude da interpretação de Ledger sobre o coringa. Mas entender qual a ideia de Nolan sobre o personagem e porque ele funcionou tão bem ao filme e principalmente ao Batman, é o que iremos contar agora.


Nolan, nos traz um antagonista sem uma identidade, sem um passado, porém, muito estrategista. Pode parecer que não, mas o “Coringa” sabe exatamente o que fazer, quando fazer e quem ele irá afetar.


Na primeira cena que ele aparece, temos um assalto ao banco, onde estrategicamente Coringa ocasiona a morte de todos seus cúmplices, e que antes de sair de lá, sutilmente ele olha ao relógio para saber o momento certo de ir embora dentro de um ônibus e se infiltrar no meio de outros e assim se escondendo da polícia.


“Se você é bom em alguma coisa, nunca faça de graça.”


Outra muito interessante é a cena do interrogatório! Nela podemos observar nitidamente toda diversão do Coringa sobre os sentimentos de desespero e fragilidade do Batman naquela situação. O Coringa se diverte e sabe exatamente onde quer e onde pretende chegar com as suas escolhas. Ou seja, dando os endereços trocados de Rachel e Harvey para o Batman.


O que possa te deixar um pouco confuso, é o como ele se comporta. Ou seja, todas as versões contadas por ele de seu passado, todas as vezes que disse “Eu sou apenas um agente do caos”. Sim ele é! Mas extremamente cauteloso para que todo seu plano se concretize no final.


Falando em final, quando o Coringa diz que ninguém poderá sair de Gotham pela ponte, todos obedecem e vão diretamente de navio. Isso é muito interessante de se pensar! Por nenhum momento ele manda as pessoas irem de navio, ele apenas aponta um caminho, todos seguem, e assim todos caem em sua própria armadilha.


Sobre “Harvey Dent”, a transformação do “Cavaleiro branco de Gotham” ao um dos ícones vilões do Batman, foi claramente uma criação do próprio “Coringa”. Primeiro devemos enaltecer a incrível interpretação de Aaron Eckhart seja por Dent ou pelo próprio “Duas-caras”. Harvey é justo, honesto, sem medo e diferente de muitos outros, ele acredita no legado que Batman tinha criado.


Em um de seus diálogos com Bruce Wayne, temos uma frase que nos contaria antecipadamente para onde seu personagem iria.



"Ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar o vilão."


Essa transformação vai se dando início desde que os planos dele, Gordon e Batman não se concretizam. Ou seja, ele vai dando sinais de mudança, apostando de vez a sua e sorte dos outros em uma moeda.


Porém, o ápice da criação da vilania de “Harvey Dent”, se veio na morte de Rachel, agora interpretada por Maggie Gyllenhaal. Ao pensar que iria salvá-la, Batman é enganado pelo “Coringa” e vai diretamente onde “Dent” se encontra e acaba-o salvando. E devido uma explosão, seu rosto é parcialmente queimado, transformando-o definitivamente no vilão “Duas-caras”.


A partir de agora, “Dent” não acredita mais na justiça e se tem o desejo de fazer com que todos passem pelo que ele passou. Ou seja, o sentir medo, o mentir, e principalmente a possibilidade de ter 50% de chance de sobreviver.


Só que o segundo filme tinha a necessidade de deixar o Batman como vilão. Pois bem, o Morcego de Gotham se deixa ser acusado de todos os crimes e principalmente pela morte de Harvey Dent, assim dando a possibilidade de uma Gotham mais segura e que a partir de agora não precisaria mais dele.


A morte de Rachel também muda completamente a vida de Bruce, acreditando que ela o tinha escolhido, Bruce Wayne aposenta o manto e se afunda completamente na escuridão de sua mansão, deixando de lado não só o heroísmo, mas também a vida de playboy de um Wayne.


Batman: O Cavaleiro das trevas ressurge

Certo, o terceiro e último filme dessa trilogia tinha a obrigação de ser ainda mais grandioso e que trouxesse a curiosidade dos telespectadores ao cinema, mesmo sabendo que Ledger não estaria nessa sequência.


Dessa vez, Nolan aposta as suas fichas em Tom Hardy. O ator que já tinha trabalhado com ele em “A origem”, interpretaria “Bane”! Hardy se encontra monstruoso, o Design de seu personagem é incrível e sua brutalidade também.


Na abertura do longa, temos uma cena incrivelmente realidade por Nolan. A cena é de dois aviões onde "Bane" precisa fingir a morte de um cientista. Feita boa parte de efeitos práticos, Nolan proporciona uma experiencia cinematográfica incrível, e ainda mostra de vez quem seria o “Bane” de Tom Hardy.


O diretor, ainda coloca na história, John Blake (Joseph Gordon-Levitt), Selina Kyle (Anne Hathaway) e Miranda Tate (Marion Cotillard). E sim, por mais que temos uma ressalva quanto ao final de Tate, todos entregaram atuações pertinentes e precisas para seus personagens.


Selina Kyle a “Robin Hood” de Gotham, é essêncial para o desenrolar da história. Ela acaba ditando os passos do renascimento de Bruce e logo do Batman. Seja no desejo dele em recuperar a joia de sua mãe roubada por ela, no primeiro encontro com Bane, na ajuda dela em derrotar o vilão e é claro na cena final do filme.


Anne Hathaway se encontra impecável! A atriz consegue principalmente em duas cenas, trazer uma personagem assustada e em seguida uma personagem forte, e vice-e-versa. O seu Design também é incrível, nas composições de seu figurino dando referência direta a “Mulher gato.”


Já John Blake é o policial correto, que reverência Gordon e acredita que Gotham sempre precisará do Batman. Blake na história concretiza a ideia de Bruce que o Batman não é uma pessoa, e sim um símbolo. Ou seja, o Batman poderia ser qualquer um.


E por mais que os planos de Nolan era de encerrar no terceiro filme. Blake dá a continuidade ao legado do Batman ao final do filme. E ainda mais quando o diretor planta um easter eggs, ao dizer que John Blake é nada mais que o famoso órfão e menino prodígio de Gotham, o Robin.


Mas a grande interpretação desse filme é de Michael Caine! Dessa vez, Alfred é contra o renascimento do Batman, vendo que Bruce não é mais o mesmo de quando começou. E em todos os diálogos entre os dois são incríveis. Dando ênfase na cena que Alfred conta a Bruce que Rachel não o tinha escolhido. Nolan tira a música, deixando apenas as vozes dos atores, proporcionando uma cena forte e impactante, onde os dois melhores amigos a partir de agora seguiriam sozinhos.


“Já costurei você, já colei seus ossos, mas não vou enterrar você. Já enterrei membros demais da família Wayne.”

Outra cena muito impactante é o primeiro confronto de Batman e Bane. Outra sem trilha sonora, só com os sons do embate dos dois e principalmente o som do desespero de Bruce. Nela, vimos um Batman lento, despreparado, e principalmente com medo.


“Você acha que a escuridão é sua aliada? você só adotou as trevas, eu nasci nelas, fui moldado por elas, eu só vi a luz ao virar adulto, e só o que ela me fez foi me cegar.”

Por fim, Batman renasce, Bane é derrotado, e o filme se encerra com aquele sentimento de esperança e tranquilidade. Gotham a salvo, o legado do Batman sendo passado a outro, e Bruce vivendo a sua vida como Alfred sempre desejou.


Pois bem, a trilogia de Nolan se tornou um marco dentro não só do gênero de super-herói, mas também do cinema. Com uma visão concreta sobre o personagem e sendo executada da forma mais correta possível. O diretor soube ter um ótimo roteiro, ter um ótimo elenco e além de tudo, executar uma excelete direção no decorrer desses três incríveis filmes.



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