• Wando Moreira Don Wandolero

Alan Moore: "Não estou mais tão interessado em quadrinhos porque são para crianças"


Em uma rara entrevista de divulgação do seu novo projeto para o cinema (The Show) ao site Deadline, o consagrado autor de quadrinhos Alan Moore fez sérias críticas a esse novo momento das histórias em quadrinhos de super-heróis, principalmente aos filmes que estão sendo produzidos recentemente sobre os mesmos.


Desde o término da sua última obra, A Liga Extraordinária, em 2018, Alan Moore decidiu se aposentar dos quadrinhos, alegando que "não está mais tão interessado em quadrinhos" porque, segundo ele, houve uma mudança preocupante no mundo das HQs, com efeitos negativos.


"Quando entrei para a indústria dos quadrinhos, o grande atrativo era que se tratava de um meio que era vulgar e tinha sido criado para divertir a classe trabalhadora, principalmente crianças. Pela maneira como a indústria mudou, agora tem "histórias em quadrinhos" inteiramente com preços para um público de classe média. Não tenho nada contra as pessoas de classe média, mas não era para ser um meio para amadores de meia-idade. Era para ser um meio para pessoas que não têm muito dinheiro."


Ele afirmou também em entrevista que não assiste os filmes derivados dos super-heróis dos quadrinhos porque os mesmos causaram um efeito nocivo na cultura, gerando consequências perigosas para a sociedade.


"Não vejo um filme de super-herói desde o primeiro Batman de Tim Burton. Eles arruinaram o cinema e também, até certo ponto, a cultura. Vários anos atrás, eu disse que achava que era um sinal realmente preocupante, que centenas de milhares de adultos estavam fazendo fila para ver personagens que foram criados há 50 anos para entreter meninos de 12 anos. Isso parecia indicar algum tipo de desejo de escapar das complexidades do mundo moderno e voltar a uma infância nostálgica e lembrada. Isso parecia perigoso, estava infantilizando a população."

O quadrinista vê que um dos efeitos do crescimento dos filmes de super-heróis foi uma infantilização que afetou o momento político mundial.


"Isso pode ser mera coincidência, mas em 2016, quando o povo americano elegeu um "nazista" (se referindo a Donald Trump) e o Reino Unido votou pela saída da União Europeia, seis dos 12 filmes de maior bilheteria eram filmes de super-heróis. Não quer dizer que uma causa a outra, mas acho que os dois são sintomas da mesma coisa - uma negação da realidade e uma necessidade de soluções simplistas e sensacionais."

Alan Moore também afirma não ter interesse em assistir filmes de super-heróis por achar que o formato transformou esses filmes para trazer mais o público adulto e levá-lo a se interessar nesse novo gênero.


"Não tenho interesse em super-heróis, eles foram inventados no final da década de 1930 para crianças e são perfeitamente bons como entretenimento infantil. Mas se você tentar fazê-los para o mundo adulto, acho que se tornará meio grotesco."

O que você acha dessas declarações de Alan Moore sobre os quadrinhos e os filmes de super-heróis? Concorda com as opiniões dele? Para saber mais sobre essa entrevista, acesse o link na íntegra (em inglês).



Fonte: Deadline



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