• Bruno Caixeta

A sound-track "satânica", enfurecedora e vencedora de prêmios de DOOM (2016)

Atualizado: Set 6


DOOM é um dos FPS clássicos mais conhecidos, e com razão: é um dos primeiros jogos "3D" em primeira pessoa, com jogabilidade fluida, design de personagens ótimos (e que causou polêmica entre vários círculos religiosos) e uma trilha sonora impactante. E o remake não fez por menos. Usando as palavras do próprio compositor (em tradução livre): "Quando se trata de um legado desses, é necessário tratar ele com o maior respeito". E o hype não acaba... com o também aclamado DOOM Eternal lançado nesse ano e sua primeira DLC anunciada há poucos dias, o legado continua forte.


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DOOM é um jogo que não pede desculpas... é possível matar o último chefe sem saber 10% da história (que por sinal não é nada ruim) e mesmo assim aproveitar cada segundo. O objetivo é simplesmente matar todo e qualquer demônio que aparecer na tela da forma mais brutal possível. E em contramão dos jogos de tiro atuais, isso é feito sem parar, sem se esconder, sem se preocupar com a "música de chefe", afinal, os demônios que tem medo do protagonista. E a trilha sonora, junto com as animações, apresentam isso desde o início: é possível ver a personalidade escoando por meio delas, sem nenhuma fala necessária.



E claro que o restante do jogo iria se manter assim: a cada cenário novo que aparece, a música se encaixa perfeitamente na matança do Doom Slayer. Seja nas obras de arte que são os cenários das planícies de Marte, nos campos abertos do inferno ou nas salas fechadas da UAC, a música complementa a mistura de tecnologia com sangue e vísceras, dando uma sensação de claustrofobia ou de liberdade a depender do cenário. Isso, associado à adaptação com as ações do jogador (que normalmente envolem armas enormes e desmembramento), causam uma sensação de poder imensa.




Essa adaptação, inclusive, é uma das coisas que a trilha sonora faz com maestria: no lugar de "empilhar" sons a depender da ação do jogador, a música é dividida em pedaços (riffs, chorus, etc..) que revezam entre variações de si mesmos e entre os outros, condizendo com o momento do jogo. Isso ajuda a não quebrar a qualidade da música durante todo o combate, permitindo, ainda, alterações de acordo com a quantidade de inimigos, a vida restante, etc. Não somente o personagem e as armas te dão controle, a sensação de controlar também a música é inigualável.



Além disso, é claro, o DOOM não seria ele mesmo sem os segredos e easter eggs. Existem vários segredos pelos diversos cenários (inclusive um mapa antigo, com a música antiga, em cada mapa do jogo) e espalhados pelas músicas também. O compositor já confessou dois dos mais interessantes: Ao passar a track "Cyberdemon" por um espectrograma (que permite ver intensidades de ondas de frequências diferentes em sons), é possível ver os números da besta e um pentagrama invertido... nada mais que uma brincadeira que causou muita polêmica em sites de notícia sensacionalistas.


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Outro dos segredos mais interessantes é em um dos "drone tracks", o qual ao ser escutado em mono nos permite ouvir uma voz macabra falando algo ao contrário, o que não foi muito discutido por nenhum site de notícia na época... a mensagem, ao ser invertida, revela: "Jesus te ama".



E pensar que a Bethesda não queria uma trilha com elementos do metal... ainda bem que o compositor Mick Gordon os convenceu do contrário.



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