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  • Mauricio Vaz

A nada nova geração de processadores INTEL

Atualizado: 8 de Mai de 2020


No dia 27 de março, a empresa de tecnologia que atende por Intel revelou sua mais "nova" geração de processadores para desktop e notebooks. Ela está sendo chamada ironicamente de COMEdiaT Lake, visando dar uma resposta ao atropelamento promovido pela sua concorrente AMD e seus processadores Ryzen, que dominaram o mercado usando como principal arma seu absurdo custo/beneficio.


A "nova" geração de processadores é baseada em uma arquitetura de construção de 10 nanômetros (cof cof defasada em tempos atuais cof cof), e veio acompanhada da famosa troca de soquete que a Intel tanto ama. Sendo assim, usuários de Intel que queiram adquirir um CPU "novo" terão de adquirir também, e por tabela, uma nova placa mãe da geração 400, o que adiciona um gasto a mais e onera em muito o custo de atualizar seu desktop pelo lado azul da força.


Os "novos" CPU's são bem peculiares se analisados e comparados com gerações anteriores:




Basicamente, a linha i3 passou a contar com 4 cores e 8 threads, a linha i5 com 6/12, o i7 atual com 8/16 e o topo da cadeia alimentar AKA i9 com 10/20 cores e threads, respectivamente. Mas daí eu me pergunto: será essa uma atualização real dos CPU's ou apenas mais uma embromação para lucrar absurdamente de forma vergonhosa em cima dos seus consumidores, como a Intel vem fazendo desde 2004, quando a AMD deixou de oferecer competitividade no mercado? Por que raios eu sinto uma sensação de Djavu ao contemplar a tabela de processadores da atual geração? É aqui que precisamos voltar no tempo laaá pelos idos de março do ano de 2017...



Como pode ser conferido na imagem, o i7 da sétima geração possuía as mesmas quantidades de núcleo/thread do i3 recentemente lançado.



Um i5 de décima geração 6/12? Um momento, meu amigo...



Onde será que eu vi um Intel 8/16 mais recentemente? Aahh...


Em toda a linha mais atualmente lançada (difícil dizer nova geração), o TDP padrão é de 125W, o que é facilmente explicado pela quantidade de clock "empurrada" em designs de arquitetura antigos que foram (foram?) fabricados em 10nm e que não lidam bem com um core clock tão alto.


A Intel está confiando que seu marketing sobre o CPU 10/20 de 5.3 Ghz engane bastante gente, pois raramente ela explica que tal velocidade só é alcançada por apenas 1 núcleo e em determinadas situações e configurações específicas, que o usuário comum geralmente não acessa. Um TDP tão alto também pôs em cheque o velho e nem tão bom assim cooler-box Intel, que há décadas não lidava bem com as temperaturas atingidas pelo CPU (este que vos escreve sofreu com esse cooler-box já na segunda geração de processadores, o saudoso i7-2600).



Adicionar 2 núcleos e 4 threads ao i9 atual para tentar (leia-se TENTAR) fazer frente ao Ryzen 9 3950X foi uma boa estratégia, estratégia essa que a AMD usou por mais de uma década em seus CPU's: aumentar a quantidade de núcleos e clock... parece que o jogo virou, não é mesmo? haha.


Fui usuário de Intel de 2005 até o inicio desse ano fatídico. Sempre por motivos profissionais de desempenho e falta de opções, me mantive dentro do nicho Intel até aparecer a segunda geração de AMD Ryzen... ela me chamou (até demais) a atenção para tudo de novo e bom que a AMD finalmente estava entregando ao mercado, com um preço ridiculamente baixo para quem se acostumou com os preços e políticas praticadas pela Intel.


Infelizmente, o mercado foi obrigado a aceitar trocas de soquete totalmente desnecessárias, nas quais a Intel lucrava com a venda de componentes para placa mãe e eram o principal motivo para tantas LGA's novas. Desde a segunda geração da intel até a sexta, a diferença de desempenho era ridiculamente baixa levando em conta o tempo que se passou entre ambas.


A AMD, pelo contrário, vem mostrando que não é preciso trocar seu soquete a cada lançamento: os Ryzen de primeira a futura quarta geração todos usam o mesmo soquete AM4, porém seus ganhos de desempenho a cada geração são tão expressivos quanto o problema criado para a Intel nesse seguimento.


Adicionando a linha de "atualizações", agora os Intel de mais alta patente poderão usar, como padrão, memórias de 2933Mhz (riririri), frequência essa que a AMD já pratica há tempos. Inclusive a diferença de arquitetura também é outra questão digna de risos, pois a AMD já caminha para seus 5nm e a Intel disfarça um 14nm em 10nm.



Antes de todo o problema financeiro mundial causado pelo SARS-COV 2, era possível adquirir um Ryzen 7 2700x (8/16) por meros R$ 1050,00 ou mesmo um Ryzen 7 3800x (8/16) por R$ 700,00 a mais, enquanto um Intel i9-9900K namorava os 3 milhares, mesmo em promoção. A diferença de preços somada ao fato de trocar a placa mãe era tão grande, que sobrava grana para comprar uma placa de vídeo intermediária da Nvidia.


Outro problema vai ser a temperatura: com um TDP tão alto, mesmo com water-cooler a temperatura será uma pedra que não sairá do sapato do usuário. Isso complica o objetivo de manter clocks mais altos, visto que em uso soviético as temperaturas altas fazem com que o clock diminua para equilibrar as coisas, atacando assim a lógica de clocks altos atualmente empregada.


Resumindo, essa briga, que já estava boa, ficou melhor ainda com essa "nova" geração da Intel. E quem ganha são os consumidores, pois a disputa de mercado estimula a disputa de preços e qualidade/benefícios. Disputa essa da qual sofremos um jejum de quase 15 anos, período em que a Intel ditava as regras do jogo.





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