• Yuro

A grande lista de termos para leitores novatos de histórias em quadrinhos!


Recentemente falamos sobre como uma “lista de leitura” pode ajudar aspirantes à leitores a entrarem no mundo das HQs, se lembra? E hoje vamos falar um pouco sobre alguns termos específicos desse universo. Está lendo sobre uma HQ e não entendeu o que é uma “run”? Então seus problemas acabaram: para abrir seus horizontes e te deixar mais preparado para a grande missão que é ser um leitor e gibi, vamos comentar sobre termos específicos do mundo dos comics!


É, esse foi um parágrafo bem grande, né? É.



Bom, nesta lista vamos falar brevemente de termos técnicos e de alguns elementos essenciais dos “bastidores” da criação de uma HQ. Quantas páginas geralmente um capítulo tem? Quem são os responsáveis? O que é um “tie-in”? Nada tema, jovem gafanhoto, vamos falar disso tudo e deixar você, pretenso leitor, e te deixar preparado para entrar de cabeça nos comics!



E sem mais enrolação, bora pra lista!

Roteirista – Apesar de ser bem óbvio, vamos falar aqui: roteirista é o responsável pelos textos e diálogos da história. Essa foi fácil, né?


Argumento – Geralmente quando, nas informações de uma HQ, alguém está creditado como o criador do “argumento”, quer dizer que essa pessoa ajudou o roteirista nas ideias, mas não escreveu e fato a história.


Desenhista – Outro bem óbvio, é aquele que desenha o quadrinho (duh!). Mas, em muitos casos, o desenhista é apenas um dos artistas envolvidos, sendo o responsável por fazer os desenhos à lápis apenas. Em inglês, chamado também de Penciler.


Arte-final – É o processo de pegar a arte à lápis e “finalizar” com tinta (ou digitalmente). O arte-finalista é o artista que pega o trabalho do desenhista e “passa a caneta” por cima, para que a página possa receber cores. A bem da verdade, o a arte-final tradicional é feita com pincéis e canetas variadas. Em inglês, chamado de Inker, aquele que coloca a tinta (o termo também é usado para arte-finalistas digitais).


Colorista – Como o próprio nome já diz, é quem pega a arte em preto e branco do arte-finalista e colore, seja usando mídias tradicionais (tintas) ou digitais (usando programas como o Photoshop). Viu, você já tá pegando tudo rápido!


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Ilustrador – O artista que faz toda a arte, do desenho no lápis até a cor. O ilustrador também pode fazer toda a arte digitalmente, o importante é fazer todo o processo, desde os esboços até as cores.


Capista – Artistas que fazem apenas a capa do quadrinho são os capistas. Geralmente, são ilustradores que trabalham com realismo ou algum tipo de arte complexa que demora muito tempo para ser produzida (não sento assim indicada para artes das páginas internas, que precisam ser entregues pelos artistas rapidamente).



Co-Autor – Quem produziu parte da história. Geralmente o escritor e o desenhista são creditados como co-autores, pois ambos criaram, cada um em sua maneira, a história e sendo assim autores de igual importância.


Editor – A pessoal que está por trás, dando sugestões e aprovando os quadrinhos. Muitas das ideias por trás de uma história vem o editor e, no final, ele que aprova o gibi ou não. Geralmente um editor cuida de um mesmo “microverso”, ou seja, o editor da revista do Batman provavelmente será o mesmo editor da revista do Asa Noturna, e por aí vai.


Editor-Chefe – É o(a) chefe por trás de uma editora. É quem decide os grandes eventos dos quadrinhos e é quem aprova as ideias que os outros editores tem. Geralmente arquitetam planos e histórias por anos que transformam a editora por anos. É a pessoa mais importante da companhia naquele momento.



Plot – A ideia básica de uma história, o tema da HQ, a trama de que se trata tudo aquilo.


Spoiler – Essa você já sabe, né? Um spoiler é algo que estraga a experiência: é contar para outra pessoa algo sobre uma história que ela ainda não leu, só por sacanagem. Serve para qualquer mídia. Por exemplo, eu torço contra a felicidade de pessoas que ficaram dando spoilers de Vingadores: Ultimato por aí.


Run – É toda uma passagem de um autor (ou dupla de autores) em um título. Uma run é o termo usado para se referir à todas as histórias produzidas por essas pessoas em questão. Por exemplo, quando se fala sobre a melhor run de todos os tempos, provavelmente se está falando da fase do Chris Claremont e do John Byrne nos X-Men.


Megassaga Eventos (geralmente anuais) que englobam toda uma editora, aquela saga que surge anualmente para mudar tudo (e quase nunca muda) e que acabam afetando todos os títulos além da minissérie título. Por exemplo, Guerra Civil foi uma minissérie mas também uma megassaga, já que diversas outras revistas também participaram do evento com visões alternativas do ocorrido (por exemplo, no título do Homem-Aranha, vimos a visão dele dos eventos da Guerra Civil). Uma megassaga também é chamada de crossover.


Tie-In Histórias complementares de uma megassaga (como as do Aranha citadas acima). Se, durante o evento Crise nas Infinitas Terras, a revista da Sociedade da Justiça foi afetada pelo evento, essa HQ é um tie-in da saga principal: um complemento interessante do evento.



MassaveioHistórias sem muito compromisso com a profundidade ou temas complexos e que buscam ser interessantes como entretenimento. Geralmente são cheias de ação e não muito inteligentes. Ou seja, uma história massa, véio! Isso não quer dizer que se trata de algo ruim, existem os “massaveio de qualidade”, como a fase do Venon do escritor Donny Cates.



Capítulo – Edição de um gibi mensal. Nos EUA, cada capítulo sai com, em média, 24 páginas.


Graphic Novel – Quadrinho que não é mensal. Geralmente, as graphic novels são mais profundas e levadas para um público adulto. Watchmen e Deus Ama, O Homem Mata são exemplos. Podemos dizer também que o termo foi criado para que as pessoas se sentissem mais inteligentes por ler um quadrinho “superior”.


One-Shot – Minissérie ou quadrinho único (apenas uma edição) fora dos quadrinhos mensais. É quase uma graphic novel, mas as vezes são histórias se passam na continuidade um universo de quadrinhos. É algo feito para não se ter sequências.



Tirinha Quadrinho contado em poucos quadros, em apenas uma página. Geralmente a tirinha é publicada em jornais e está associada com humor ou crítica política, como a Mafalda. Porém alguns personagens da ficção, como Flash Gordon, começaram nesse tipo de história. Por vezes, um personagem famoso das HQs ganhar uma tirinha, como o Homem-Aranha, que teve também uma tira de jornal que durou anos.


Nona arteTermo técnico para falar de quadrinhos. Cada tipo de arte tem seu “número”. O cinema é a sétima arte e os quadrinhos, a nona.


Quadrinho Norte-Americano – Como o próprio nome já diz, termo usado para se referir aos quadrinhos de produzidos na América do Norte, em especial os gibis estadunidenses (Marvel e DC, principalmente) de super-heróis.



Quadrinho Europeu – Também outro nome óbvio. Mas é que a tradição de quadrinhos europeia é bem diferente das obras dos EUA, principalmente por (em geral) não se tratar de um mercado de gibis mensais. Obras europeias não costumam ser feitas em uma indústria, e as criações são propriedades exclusivamente dos artistas (existe uma briga por esses direitos quando se trata de quadrinhos americanos). Outra diferenciação é que obras da Europa costumam ter cores mais limpas (e bonitas). Um exemplo desses gibis são as obras do francês Moebius, como Incal e Arzach, e as histórias do Tintim.



Quadrinho independente – Quadrinhos não alinhados à Marvel e DC, histórias novas e que não pertencem à nenhuma editora e os direitos autorais são completamente de seus criadores. Editoras como a Dark Horse e a Image publicam material independente (mantendo o direito aos criadores) em uma escala muito maior. Geralmente quadrinhos produzidos ao redor do mundo, em locais que não exista uma indústria estruturada, costumam ser independentes.


Tirando os gibis da Turma da Mônica, quase todo quadrinho brasileiro é independente (dos mais famosos aos mais undergrounds).


Mangá – Sim, eu sei que você sabe o que é mangá. Mas estou aqui pra te lembrar que mangá é quadrinho sim. Apesar de pertencer à tradição oriental (e não apenas japonesa, apesar do Japão ser o principal criador de mangás) e apresentar mudanças na maneira de ler (direita pra esquerda) e de geralmente ser preto e branco, o mangá é uma maneira de contar histórias usando arte-sequencial e se enquadra dentro da nona arte, os quadrinhos. Assim como nos EUA, existe no Japão uma indústria desse tipo de HQ.


Mangá é gibi sim, aceita cara.



Shonen – Gênero de mangás de ação com personagens superpoderosos. É um dos tipos mais populares de mangás. Dragon Ball, Naruto e One Piece são exemplos de shonen. Podemos falar que o shonen é gibi de super-herói dos mangás (e, em muitos casos, vendem até mais que quadrinhos mensais da Marvel ou DC).


Trade paperback – Tipo de publicação que reúne edições mensais (ou minisséries) lançadas previamente de forma integral em encadernação de brochura (capa mole).


Capa dura – Mesmo princípio do trade paperback, mas com a publicação usando capas-duras (não me diga!). Geralmente um quadrinho desse tipo é uma publicação de luxo e é bem mais caro.


Formatinho – Aqueles gibis antigos que eram publicados no Brasil até o fim dos anos 90 (eu comecei a ler nessa época, putz, a idade bateu). Eram publicados geralmente em 13x21 cm, próximo ao tamanho A5, bem menor que um quadrinho internacional, menor que uma revista tradicional. E sinceramente? É o melhor tamanho para um quadrinho.



Formato americano Formato original de um quadrinho. Hoje em dia, as publicações no Brasil seguem esse formato, que é próximo ao tamanho A4.


Era de Ouro – Período de publicações que começou com a primeira história do Superman (1938) e foi até meados dos anos 50. Um período de aventura, em que muitos super-heróis foram criados. As obras da Era de Ouro eram muito relacionadas com escapismo durante a segunda guerra mundial. Mas vamos falar com mais propriedade sobre as eras dos quadrinhos em breve, em um texto só sobre isso.



Era de Prata – Período de publicações do fim dos anos 50 até o início dos anos 70. Começou com a reformulação do Flash (Jay Garrick) em um personagem totalmente novo (Berry Allen). A Era de Prata também é chamada de “Período Marvel”, uma vez que a maioria dos personagens da editora (como o Homem-Aranha, o Hulk ou os X-Men) foram criados nos anos 60.



Era de Bronze – Período de publicações e quadrinhos entre os anos 70 e meados dos anos 80. Existe muito debate sobre o início da Era de Bronze, mas a opinião mais recorrente é que A Morte de Gwen Stacy, em 1963 marca o fim da Era de Prata e inicia a Era de Bronze (e criando assim os quadrinhos adultos). Quadrinhos de terror e de fantasia (como Conan) se tornaram populares nesse momento.



Era Sombria – Também chamada de Era Dark, é o período iniciado em 1985 com Watchmen e O Cavaleiro das Trevas e que perdurou durante os anos 90. Foi uma época marcada por histórias sombrias, adultas e violentas que, em muitos casos, desconstruíam o gênero de super-heróis completamente. Personagens como Spawn e Hellboy são frutos dessa Era.



Era Moderna – A Era atual dos quadrinhos, marcada por megassagas, arte (e cores) modernas, novos personagens e mudanças nos quadrinhos feitas para acompanhar as tramas do cinema. Apesar de ser muito fã Era de Bronze, eu posso falar que a Era Moderna também é incrível.



Comics Code Authority – A censura dos quadrinhos que durou da Era de Prata até os anos 90. O selo que ficava na capa dos quadrinhos antigos indicava que a história tinha sido aprovada pela censura. Foi criada após o livro Sedução dos Inocentes relacionar quadrinhos com violência urbana (muito por conta das histórias de terror com altos níveis de sangue da EC Comics nos anos 50). A criação do Comics Code é um marco reconhecida como causador do fim da Era de Ouro (mas isso é assunto para outro texto).



Retcon – O ato de mudar uma origem ou fato já estabelecido em uma história antiga. Por exemplo, as histórias novas que dizem que a Feiticeira Escarlate não é mutante são um Retcon.


Continuidade – Uma sequência de fatos que aconteceram nas histórias do universo principal da editora, aquilo que não faz parte de uma outra realidade, universo ou linha temporal alternativa. Também chamado de canon de uma editora”. É aquilo que vale como um fato dentro de uma história porque já aconteceu previamente (até algum retcon mudar isso). Por exemplo as histórias do universo 616, o principal da Marvel, fazem parte da continuidade da editora, enquanto histórias alternativas não.


Reboot – O ato de começar um universo em quadrinhos de novo, do zero. Após o evento Crise nas Infinitas Terras, a DC “rebootou”, ou seja: a continuidade mudou e o que vale são as novas histórias, assim como após o evento Os Novos 52, em que tudo aquilo que aconteceu anteriormente nunca tivesse aconteceu de fato (claro que não foi bem assim e muito dos elementos antigos foram resgatados. Mas a DC é mestra na arte de fazer um reboot e começar sua linha temporal de novo).


Painel – Um quadro maior (que os outros da mesma página) em uma página história em quadrinhos. Geralmente usado para destacar uma cena importante.


Splash Page – Décadas atrás, todo quadrinho começava com uma página inicial contendo apenas um quadro grande, com um desenho em destaque. Essa primeira página era chamada de Splash Page. Porém, esse tipo de página inicial foi se perdendo no tempo e, hoje me dia, qualquer página que contenha apenas um desenho/quadro é chamada de Splash Page.



Clubismo – O ato de gostar de apenas uma editora e criticar a outra de maneira irracional. Clubista é a pessoal trata Marvel e DC como time de futebol, que alimenta rivalidade, se acha engraçado por viver de deboche (pelo amor de Deus, cresçam) e não sabe curtir as coisas boas que ambas as editoras têm a oferecer.


O clubista despende mais tempo falando mal da concorrência do que curtindo o conteúdo de sua “editora do coração” e fica revoltado porque seu grupo de heróis preferido não faz tanto sucesso no cinema quanto o outro grupo. Clubismo é coisa de gente que não leu o suficiente e, acima de tudo, todo clubista é inconveniente e desagradável.



Retículas – Aquelas “bolinhas” que eram muito comuns em quadrinhos antigos. Chamado em inglês de Halftone, as retículas eram usadas nas cores de um gibi pois criavam uma sensação de múltiplas cores e barateavam os custos de impressão. Hoje, com os métodos modernos de impressão, não precisam ser usadas (mas ainda há artistas que usam os halftones de propósito, como recurso visual).


No mangá, retículas pretas são usadas para criar uma falsa impressão de cinza (uma vez que o espaço entre as bolinhas gera um tipo de ilusão de ótica que nosso olho enxerga como cinza).



Hachuras – Uma sequência de riscos usados na ilustração de um quadrinho, muitas vezes criados com o intuito de gerar uma sombra no personagem ou ambiente, assim como a retícula no mangá.



Nanquim Tinta usada para a finalização de uma história em quadrinhos em mídias tradicionais (papel, tela, etc). Geralmente é uma tinta preta muito forte que se passa sobre o rascunho à lápis.

Ufa, acho que foi tudo. Esqueci de algum termo importante os quadrinhos? Caso tenha esquecido, fale pra gente aqui nos comentários! Quem sabe não sai uma parte 2 de nossa lista, ein?



Deu até vontade de abrir um gibi e ler! Aliás, devo dizer aqui: Quadrinhos são a melhor mídia que existe. Com pouco investimento, você criar a HQ mais ambiciosa e incrível do mundo em sua casa, de uma maneira que não podemos fazer com cinema ou nenhuma outra mídia.


O que posso dizer? Quadrinhos são demais!


Agora que você conhece um pouco mais sobre esse universo, só me resta falar: comece a ler quadrinhos (ou continue, se você já faz parte desse incrível universo) e até o próximo texto!


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Te convido ainda a ler nossos outros textos e ouvir o nosso podcast!



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