• Nathy marro

A genialidade do Studio Ghibli feat OtageekCAST #18 Especial Studio Ghibli

Atualizado: Mai 3

Sendo um dos maiores estúdios de animação japonesa, o Studio Ghibli já produziu mais de 20 longas, e foi o primeiro estúdio de animação a ganhar um Oscar sem que o filme fosse de língua inglesa, se tornando um dos sinônimos de excelência para animação mundial. Vamos conhecê-lo melhor?



Hayao Miazaki e Isao Takahata


Não podemos falar das animações sem falar dos principais diretores e fundadores do Studio Ghibli: Hayao Miyazaki e Isao Takahata.


Hayao Miyazaki nasceu em plena Segunda Guerra Mundial. Seu pai era um diretor de uma empresa que fazia lemes de aviões, a máquina mais presente em suas obras, já que o diretor tem uma paixão pela aviação. Apesar de sempre se interessar por animações, ele se graduou em ciências políticas e economia, uma profissão que acabou não exercendo. O primeiro contato de Miyazaki com animação foi no início da década de 1960, quando começou a trabalhar para a Toei Animation.



Já para Isao Takahata, o interesse pelas animações nasceu tardiamente, após assistir ao filme francês Le Roi et l’oiseau (The king and the mockingbird). Antes disso ele nem desenhava e nunca tinha trabalhado como animador, até entrar na Toei Animation na vaga de diretor assistente.



Foi na Toei Animation, estúdio conhecido por ser a casa de animes como“Dragon Ball”, “Cavaleiros do Zodíaco” e “Pokémon”, que os dois se conheceram e acabaram estabelecendo a parceria que mais tarde fundaria o estúdio Ghibli. Como curiosidade, vale citar que o encontro ocorreu durante a produção de Horus - O príncipe do sol.



Após a saída da Toei, em 1971, eles trabalharam nas produções do anime Heidi (Heidi Arupusu no Shojo Haiji), Lupin III e Lupin III - Castelo de Cagliostro.



Durante o período Toei e pós Toei, perceberam que para fazer animações de alta qualidade como desejavam, precisariam de um tipo de mídia onde os prazos não fossem tão apertados. Isso porque nesse período Takahata dirigia as séries de TV, enquanto Miyazaki fazia um trabalho sobre-humano para conseguir desenhar o layout de cada episódio detalhadamente. E foi aí que surgiu a ideia do Studio Ghibli , um lugar onde os filmes seriam cuidadosamente desenhados, com enredo e qualidade impecáveis e, o mais importante, de seu próprio jeito, sem prazos de entregas.



Fundação do Studio Ghibli


Nausicaä do Vale do Vento (Kaze no Tani no Naushika) foi um filme dirigido por Miyazaki em 1984, que apesar de não ser considerado um filme do Studio, foi fundamental para sua criação. Essa constatação surge do grande sucesso alcançado pelo filme, o qual impulsionou o nascimento do estúdio Ghibli em 1985.



O primeiro filme do Studio Ghibli, que estreou em 1986, foi Laputa: O Castelo no Céu (Tenkû no Shiro Rapyuta). Ele levou 775 mil pessoas aos cinemas, sendo um sucesso de bilheteria e de crítica.



Dois anos após a sua estreia, o Studio Ghibli surpreendeu mais uma vez lançando dois filmes ao mesmo tempo: Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro), dirigido por Hayao Miyazaki, e Túmulo dos Vagalumes (Hotaru no Haka), dirigido por Isao Takahata. As duas obras são completamente diferentes uma da outra.


Em Meu vizinho Totoro, temos um longa com uma pegada mais infantil, já que era uma produção voltada mais aos pequenos, mas abordando temas importante como a doença, a mudança e as adversidades da vida. As duas crianças encontram na imagem de Totoro um conforto para os momentos difíceis que estão passando.



Túmulo dos Vagalumes é um filme que retrata a guerra, mais precisamente a Segunda Guerra Mundial. Ele conta a história de dois irmãos, Seita e Setsuko, e sua luta desesperada para sobreviver à fome e às doenças nos últimos meses desse fatídico período. Mesmo assim, eles se divertem com as luzes dos vagalumes.



O reconhecimento que esses filmes trouxeram ao Studio Ghibli foi um dos fatores que contribuiu para que o próximo filme atingisse um número surpreendente de expectadores. E também ajudou a definir a mascote do estúdio como sendo o Totoro.



A maneira de se contar histórias


Podemos definir o Studio Ghibli em três pilares: a impecabilidade dos desenhos, a narrativa única e a coragem de inovar.


A impecabilidade dos desenhos é algo que nos surpreende: cada quadro parece ter sido pintado à mão em tinta a óleo, como paisagens que veríamos em quadros de exposição. Bons exemplos disso são os filmes Contos para Terramar, Castelo Animado e Meu vizinho Totoro.



Outro fator é a preocupação para que a animação pareça real aos olhos do público, deixando o desenho o mais verídico possível ao que vemos e fazemos. Assim, quanto mais detalhamento, melhor ele é. Isso é visto de maneira bem explícita em Laputa: Castelo no Céu, Princesa Mononoke e Serviços de entrega da Kiki, além de muitos outros.



Falando agora da narrativa... normalmente o espectador é jogado em um mundo pré- existente, que pode ou não estar ligado ao nosso, juntando a realidade e a fantasia dentro de um único universo. A partir daí podemos identificar críticas à guerra, ao descaso com o meio ambiente, à romantização de casais, à doença e ao próprio capitalismo. E tudo é feito de maneira muito sucinta, sempre andando em segundo plano na história e sempre misturado de maneira inteligentíssima com a cultura nipônica.


A inovação é parte do cerne do estúdio: tanto contando histórias quanto fazendo animações, eles sempre tentam puxar os limites da criatividade usando a técnica e a tecnologia ao seu favor. Alguns dos maiores exemplos são os Meus vizinhos Yamadas, filme totalmente computadorizado feito a partir de sketches aquarelados, e Os Contos da princesa Kaguya, que teve técnicas diferenciadas, mostrando que a mesma fórmula poderia ser aplicada de diferentes maneiras.




Em Princesa Mononoke e Castelo Animado, o estúdio usou uma parcela de CG (Computação Gráfica) a partir de modernos equipamentos recentemente adquiridos. Utilizaram esse recurso para cobrir cenas simples, porém trabalhosas de serem feitas à mão.




Oscar


A categoria de Melhor Filme de Animação passou a integrar a lista do Oscar em 2002. Um ano após, em 2003, o Studio Ghibli concorreria à premiação com o filme A Viagem de Chiriro, que acabou levando a estatueta e até hoje é o único filme de língua não inglesa a ganhar na categoria.



Depois desse feito, o Studio Ghibli ganhou reconhecimento mundial e foi indicado mais cinco vezes na premiação com os filmes Castelo Animado (2006), Vidas ao Vento (2014), Os Contos da Princesa Kaguya (2015), As Memórias de Marnie (2016) e com a coprodução A Tartaruga Vermelha (2017).



Novo Projeto e Netflix

Em maio de 2017, o Studio Ghibli deu luz verde para o novo projeto de Hayao Miyazaki, que tem a previsão de estreia para este ano. E dizem que é por conta desse projeto que a Netflix conseguiu os direitos de exibição dos 21 filmes, que estão entrando aos poucos no seu catálogo desde fevereiro.


O que acham de uma boa maratona durante a quarentena? Ah, também aproveite para ouvir o nosso especial Studio Ghibli dessa semana no nosso OtageekCAST.


Apresentação: Nathy, Santiago e Andréia.

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